novembro 06, 2009
BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #95 - João Miguel Lameiras no “Diário As Beiras” (mas no seu novo blogue) + texto publicado no jornal "i" e… emenda de uma gafe fotográfica.
Sempre que se fazem coisas à pressa, corremos o risco de acontecer qualquer erro lamentável. Pois foi assim no último post deste blogue: procurar uma foto do Peeters a toda a velocidade e… postar a foto que estava ao lado (por ordem alfabética de apelidos no arquivo), que era do Spiegelman. Tenho que me desculpar perante os leitores do Kuentro. Só agora consigo emendar a coisa porque estive fora de casa quase três dias.
Fica também AQUI o link para o blogue do João Miguel Lameiras (Por um punhado de imagens: http://www.porumpunhadodeimagens.blogspot.com/) , onde o escriba posta os seus textos que são publicados no Diário As Beiras e muitas outras opiniões que, espero, sejam motivo de visita obrigatória. Já não era sem tempo a aposta de JML num blogue (à semelhança de Pedro Cleto, que também criou o seu – As Leituras do Pedro), uma vez que é muito difícil adquirir o “Diário As Beiras” nesta minha zona e as aquisições online, nem sempre deram bons resultados.
O TEXTO DE João Miguel Lameiras no "Diário As Beiras" (31Outubro2009) e no blogue Por um punhado de imagens:
Na última sexta-feira, dia 23 de Outubro, começou no Fórum Luís de Camões, na Brandoa, arredores de Lisboa, mais uma edição do Festival de Banda Desenhada da Amadora, o maior evento do género em Portugal e que este ano comemora 20 anos de actividade.
Infelizmente para a organização do Amadora BD (nova designação que, junto com o novo logótipo, mostram a preocupação de modernizar a imagem do Festival), as eleições autárquicas foram antes da data habitual do Festival e não deve ter sobrado muito dinheiro para comemorar condignamente esta data redonda, o que obrigou a cortes variados, do catálogo, bastante mais modesto do que em anos anteriores, à própria área de exposição e à zona comercial, com claro prejuizo para as pequenas editoras e lojas, encafuadas em stands com um metro de frente… Mas, mesmo com um orçamento bastante inferior ao dos anos anteriores, ainda foi possível reunir um conjunto bastante sólido de exposições, espalhadas por vários equipamentos culturais do concelho da Amadora, com destaque para o Fórum Luís de Camões, que acolhe pela terceira vez o núcleo central do Festival.
Tendo como tema aglutinador “O Grande Vigésimo” (um trocadilho, muito pouco conseguido com o título do jornal “Le Petit Vingtiéme”, onde Hergé criou o Tintin), a mostra principal, coordenada por Sara Figueiredo Costa, divide-se em quatro partes: “Almanaque”, que revisita os momentos marcantes dos últimos vinte anos do Festival; “Colecção CNBDI”, que recolhe originais de autores portugueses e estrangeiros que passaram pela Amadora; “Contemporaneidade portuguesa”, uma selecção feita por Pedro Moura de alguns dos (para ele) nomes mais importantes da BD que se faz actualmente; e “20 Anos de Concursos”, que demonstra como vários dos nomes consagrados da actual BD portuguesa, como José Carlos Fernandes, começaram nos concursos de BD da Amadora.
Tendo em conta a importância da efeméride que evoca, o resultado final desta mostra não é particularmente entusiasmante. Pode ser que o anunciado livro de Sara Figueiredo Costa sobre os 20 Anos da Amadora, me leve a mudar de opinião, mas até ao final do segundo fim-de-semana, o livro ainda não tinha saído, o que me faz temer que suceda o mesmo que com a Exposição das “100 Melhores BDs do Século XX, cujo catálogo, cinco anos depois da exposição, ainda não saiu…
Bem melhor é a exposição dedicada a Rui Lacas, vencedor do prémio do Melhor álbum Português no ano passado e responsável pela excelente linha gráfica do Festival deste ano, ou as mostras dedicadas a Lepage - vencedor do prémio do Melhor álbum estrangeiro com “Muchacho”, cujos fantásticos originais só por si justificam a visita ao Festival - e António Jorge Gonçalves. Mas no espaço do Festival há ainda espaço para exposições de Osvaldo Medina (grande revelação de 2008 com “ A Fórmula da Felicidade”), José Garcês, Giorgio Fratini (italiano, autor de “As Paredes têm Ouvidos”), e para mostras colectivas da BD da Polónia e do Canadá. Se a exposição dedicada ao Canadá se limita ao trabalho dos autores do colectivo Transmission-X (Cameron Stewart, Karl Kerschl e Ramón Perez) já a mostra dedicada à BD polaca dá uma boa panorâmica da (muita e diversa) Banda Desenhada que se faz naquele país, com destaque para autores como Kas, que conseguiram seguir as pisadas de Rosinsky, o desenhador de Thorgal, e entrar no exigente mercado franco-belga.
Também os 50 anos de Astérix são evocados, mas apenas com uma exposição de coleccionismo que, embora relativamente pobre, contém algumas peças curiosas. Outra efeméride evocada nesta edição foi os 50 anos de carreira de Maurício de Souza, o criador da Turma da Mônica, que voltou a levar largas centenas de pessoas ao Fórum Luís de Camões, em busca de um autógrafo seu. Já Exposição que lhe foi dedicada e que mostrava aspectos menos conhecidos da sua obra, merecia uma cenografia mais cuidada, como a que tinha a espectacular mostra dedicada à Planeta Tangerina, a editora que publica os melhores livros infantis de autores portugueses.
Espalhadas por outros equipamentos culturais do concelho da Amadora, o que, infelizmente, implica que serão vistas por muito menos visitantes do que o núcleo central do Festival, estão, para além da mostra "riscos do Natural", de José Ruy, na Escola Superior de Teatro e Cinema e da exposição de BD infantil, "Em traços Míudos", na Kidzania, três outras importantes exposições. Mostras evocativas de grandes personalidades da BD, já desaparecidas, como Vasco Granja, falecido este ano (no edifício da Câmara Municipal); Adolfo Simões Muller, cujo centenário do nascimento se comemorou este ano (na Casa Museu Roque Gameiro); e de Hector German Oesterheld, no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem.
Esta última mostra, dedicada ao mais importante argumentista de língua espanhola, “desaparecido” às mãos da ditadura militar argentina, em finais da década de 70, prossegue a aposta do CNBDI em dar visibilidade aos argumentistas, com Oesterheld a suceder a Alan Moore e Neil Gaiman. Reunindo pela primeira vez uma série de material sobre o criador de “Mort Cinder”, “ El Eternauta” e “Sargento Kirk”, esta mostra, de grande importância tanto simbólica como real, estará em exibição até finais de Fevereiro de 2010, pelo que voltarei a falar dela neste espaço. Entretanto, aqueles que não a forem visitar, poderão ficar a saber algo mais sobre ela, no blog criado propositadamente para a exposição pelo argentino Mariano Chinelli (http://hgobdamadora2009.blogspot.com/), um dos especialistas na obra de Oesterheld que colaborou na exposição do CNBDI.
(“20º Amadora BD” , de 23 de Outubro a 8 de Novembro de 2009, no Fórum Luís de Camões. Mais informações em www.amadorabd.com )
Versão alargada de um texto publicado no Diário As Beiras de 31/10/2009
(Texto corrigido por JML em 6NOV09 e republicado aqui com as alterações feitas pelo autor).
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Texto do jornal "i", citando a agência Lusa:
FRANÇOIS SCHUITEN E BENOIT PEETERS VÃO ESTAR DOMINGO NO FESTIVAL AMADORA BD
por Agência Lusa, Publicado em 02 de Novembro de 2009
François Schuiten e Benoit Peeters vão estar no domingo no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, onde receberão dois prémios pelo álbum "A teoria do grão de areia".
De acordo com a organização do Amadora BD, os dois autores vão estar apenas no domingo à tarde no Fórum Luís de Camões, na Amadora, para contactar com o público, dar autógrafos e receber os prémios Juventude e "Melhor álbum estrangeiro" pela história da série "As cidades obscuras".
Schuiten e Peeters tinham já sido convidados antes para participar nesta 20ª edição do Amadora BD, mas o convite foi reforçado depois da atribuição daqueles dois prémios à obra da dupla franco-belga.
"A teoria do grão de areia" é uma obra de banda desenhada repartida em dois tomos, tendo o primeiro sido editado em Portugal em Junho passado, pela Asa. O segundo tomo deverá sair em 2010.
O álbum é o décimo da série "As cidades obscuras", que Schuiten e Peeters iniciaram nos anos 1980 e que inclui, entre outros, "A febre de Urbicanda", "A menina inclinada", "A fronteira invisível" e "A sombra de um homem".
Inspirados pela arquitectura, pela Art Nouveau ou por Júlio Verne, Schuiten e Peeters criaram um mundo utópico paralelo à Terra, com sumptuosas e detalhadas paisagens urbanas de cidades que se aproximam da realidade, como Brüsel (Bruxelas) e Urbicanda (Berlim) e onde ocorrem acontecimentos insólitos que desencadeiam uma história.
Além de Schuiten e Peeters, no último fim-de-semana do 20º Amadora BD marcarão ainda presença David Lloyd, desenhador britânico de "V for Vendetta", com argumento de Alan Moore, e Luc Collin, autor belga conhecido por Batem, que sucedeu a Franquin na série Marsupilami.
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EMENDA DE UMA GAFE FOTOGRÁFICA:

A foto de Benoit Peeters - que estava ao lado da de Art Spiegelman, no arquivo Pedranocharco, onde cliquei por precipitação.

Benoît Peeters e François Schuiten - foto enviada por João Miguel Lameiras.
Já agora fica AQUI também o link para o Blogue do Pedro Cleto, com textos interessantes sobre os 50 anos de Asterix, Tarzan, etc...
novembro 03, 2009
20º FIBDA 2009 - PRÉMIOS NACIONAIS DE BANDA DESENHADA
Lista "sacada" do Divulgando Banda Desenhada, o blogue de Geraldes Lino (VER AQUI). Aqui ficam os vencedores deste ano e a notícia de última hora, de que François Schuiten e Benoît Peeters estarão na Amadora, para receber os prémios.
TROFÉU DE HONRA DA CIDADE DA AMADORA
ARTUR CORREIA
TROFÉU ESPECIAL 20 ANOS
MAURÍCIO DE SOUSA
Melhor Álbum Português
A Metrópole Feérica. Terra Incógnita - vol. 1
Autores: Luís Henrique (desenho), José Carlos Fernandes (arg.) - Ed. Tinta da China

Melhor Argumento para Álbum Português
A Metrópole Feérica. Terra Incógnita - vol.1
Argumentista: José Carlos Fernandes
(E pronto está explicado o mistério da ausência de José Carlos Fernandes neste FIBA: não lhe apeteceu simplesmente receber mais um prémio!!! - ainda pensei que ele não veio porque já estava farto de me ver à frente, de máquina fotográfica em punho, mas não, ao que parece. Que alívio! Assim, as fotos do JCF seguem para o ano...)
Melhor Desenho para Álbum Português
A Metrópole Feérica. Terra Incógnita - vol.1
Desenhador: Luís Henriques
Melhor Álbum Estrangeiro
A Teoria do Grão de Areia
Autores: Schuiten (desenho), Peeters (argumento) - Edições ASA
Melhor Álbum de Tiras Humorísticas
Cão Fedorento
Autor: Mike Peters - Gradiva Publicações
Melhor Ilustração para Literatura Infantil
Canta o Galo Gordo
Ilustradora: Cristina Sampaio - Editorial Caminho
Clássicos da 9ª Arte
A Marca Amarela
Autor: Edgar P. Jacobs - Edições ASA/Público
Fanzine
Venham+5
Editor: Câmara Municipal de Beja/Bedeteca de Beja
Coordenador: Paulo Monteiro
Prémio Juventude
A Teoria do Grão de Areia
Autores: Schuiten (desenho), Peeters (arg.)
NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA:
François Schuiten e Benoît Peeters estarão na Amadora, para receber os prémios, no próximo domingo, dia 8 de Novembro.


François Schuiten e Benoît Peeters, quando eram novitos...

... e actualmente, para que os leitores os reconheçam no dia 8!!!
Todas as imagens são da responsabilidade do Kuentro.
E HOJE HÁ TERTÚLIA!!! O 303º ENCONTRO - É OBRA, HEIM?
novembro 02, 2009
BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #94 - Textos de Pedro Cleto sobre o 20º FIBDA 2009 e OS 50 ANOS DE ASTERIX, COM ENTREVISTA EXCLUSIVA A UDERZO.
Regressamos, por hoje, aos recortes, com os textos de Pedro Cleto no Jornal de Notícias, o primeiro contendo a programação do 20º FIBDA 2009 – a que a organização, resolvendo mudar o nome oficial do Festival (juntamente com o logótipo, um pouco mais feliz que o anterior, diga-se desde já) chama agora 20º AmadoraBD, FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA, PORTUGAL. O que acaba por ficar errado, uma vez que mudando o nome, teria que mudar o numeral, sendo este já não o 20º FIBDA mas o 1º AmadoraBD, etc… No entanto como o primeiro Festival da Amadora, em 1990, se chamou “1º Salão de Banda Desenhada da Amadora”; os quatro seguintes “Amadora Cartoon, Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora” e, se não me engano apenas em 1995, seria o "6º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora”, os numerais já há muito que não batem certo com as designações oficiais. OK! Mas toda a gente sabe do que se trata.
O segundo e o terceiro textos são sobre os 50 ANOS DE ASTERIX, com uma entrevista exclusiva com Albert Uderzo, que pode também ser lida no blogue de Pedro Cleto, AQUI.



Revista NS do Jornal de Notícias, de 24 de Outubro de 2009
DE FIBDA A AmadoraBD – 20 ANOS DE UMA HISTÓRIA COM QUADRADINHOS
F. Cleto e Pina
A cumprir este ano a sua 20ª edição, o ex-Festival Internacional da Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), agora Amadora BD (na verdade mais simpática, arejada e fácil de evocar), assenta nessa efeméride boa parte da sua programação. Decisão correcta e plenamente justificável, pela(s) história(s com quadradinhos) que o FIBDA soube escrever ou gerar, tornando-se “o” festival de BD em Portugal e um evento respeitado na Europa e no mundo. E contribuindo, juntamente com os entretanto já extintos Salão Internacional de BD do Porto e Salão Lisboa de Ilustração e BD, para colocar a banda desenhada (mais vezes) na agenda mediática nacional.
Destes 20 anos - longos e ao mesmo tempo curtos – os amantes de banda desenhada recordam em especial as boas edições que tiveram lugar na antiga Fábrica da Cultura, de que o Fórum Luís de Camões, onde o evento se realiza agora pelo terceiro ano consecutivo, é digno herdeiro. E recordam também como o festival encenou a três dimensões alguns dos mais fantásticos universos de papel ou a presença dos maiores artistas da 9ª arte, como Morris, Will Eisner, Hermann, Don Rosa, Moebius, Prado, Art Spiegelman, Alan Moore... E como deu igual tratamento aos autores lusos, novos e consagrados, conseguindo, por vezes, que também fossem mediáticos, como Luís Louro, José Carlos Fernandes, António Jorge Gonçalves, José Ruy, ET Coelho, Artur Correia ou, este ano, Rui Lacas, José Garcês e Osvaldo Medina. E como permitiu a descoberta de outros nomes, de outros mundos desenhados, de outros universos aos quadradinhos, de outras fontes de sonho, emoção, liberdade.
Como marco deste percurso – não isento de recuos e escorregadelas – fica também a criação do Centro Nacional de Banda Desenhada e da Imagem (CNBDI), que possui uma biblioteca especializada, uma sala de exposições, e acolhe um já considerável acervo de pranchas originais, mas a que falta, no entanto, uma actividade mais intensa ao longo do ano.
Mas é também pelo peso de toda esta história que era legítimo esperar mais desta edição, logo a começar pelo designação do tema centralizador – “O Grande Vigésimo”, colagem desnecessária a Angoulême, onde a expressão “Le Grand Vingtième” fazia todo o sentido, numa alusão ao “Le Petit Vingtième” onde Tintin se estreou, mas que entre nós soa a cautela da lotaria…
Premiada? A resposta será dada por cada um após visitar o evento, mas a verdade, é que na lista de convidados só constam dois “monstros” da BD, Carlos Sampayo, o argumentista do mítico Alack Sinner, e o brasileiro Maurício de Sousa (ver texto alusivo nesta revista), já um “habitué”, faltando outros que, mesmo repetentes, pudessem dar mais brilho (merecido) à festa.
Mas, o grande destaque do Amadora BD é o próprio festival, através de uma exposição dividida em quatro núcleos: “Almanaque”, que evoca (est)a história e a evolução do evento; “Contemporaneidade Portuguesa”, dedicada aos autores nacionais em actividade; “Colecção CNBDI” que expõe muitas das pranchas oferecidas pelos autores que têm visitado a Amadora; e “20 anos de Concursos”, em que são destacados alguns dos que passaram pelos concursos e que se afirmaram no panorama nacional. E nesta área talvez o Amadora BD pudesse ter um papel mais relevante, que poderia passar por uma publicação regular onde os talentos descobertos pudessem publicar e crescer na 9ª arte.
Da restante programação, cujo interesse intrínseco global não se questiona, destaque para os originais de Maurício de Sousa, que cá vem comemorar meio século de carreira, para a evocação dos 50 anos de Astérix, através de uma exposição de coleccionismo, para as homenagens a Héctor Oesterheld, o mítico argumentista que nos anos 70 foi uma das vítimas da ditadura militar argentina, e a Vasco Granja, para a proposta do italiano Giorgio Fratini, autor de “Sonno Elefante – As Paredes têm Ouvidos”, que explora as memórias do edifício que serviu de sede à PIDE, e da (bela) América Central pintada por Emmanuel Lepage, bem como para a possibilidade de descoberta dos quadradinhos da Polónia e Canadá.
Faltam (mais) comics e manga (apenas estará representado pelo estúdio nacional NCreatures)? Mais uma vez, sim, o que poderá continuar a contribuir para o distanciamento das novas gerações em relação ao evento, cujo público tem envelhecido. Para além disso, por culpas próprias e alheias, que o espaço disponível não permite dissecar, continuam a faltar as pontes necessárias com editoras e lojas especializadas, o que se reflecte negativamente no lado comercial, que poderia – e deveria – ser uma das molas do festival.
Mas se alguns destes pontos devem ser ponderados por quem organiza, por quem edita – até por quem produz BD em Portugal – o que importa agora é que a festa dos quadradinhos já começou e até dia 9 há autores para encontrar, debates para ouvir e intervir, belos originais para admirar, universos para descobrir, livros novos para comprar; em suma, mais uma capitulo desta história (com quadradinhos) para escrever.
(Caixa)
Quadradinhos pela cidade
Para além do Fórum Luís de Camões, há outros equipamentos da cidade da Amadora que acolhem mostras de BD, cartoon ou ilustração. Eis a sua relação completa:
CNBDI
- Exposição retrospectiva/biográfica de Héctor Germán Oesterheld
GALERIA MUNICIPAL ARTUR BUAL
- Homenagem a Vasco Granja
CASA ROQUE GAMEIRO
- Centenário de Adolfo Simões Muller
RECREIOS DA AMADORA
- Cartoon
ESCOLA SUPERIOR DE TEATRO E CINEMA
- Riscos do Natural, de José Ruy
CENTRO COMERCIAL DOLCE VITA TEJO / KIDZANIA
- Em Traços Miúdos, Ricardo Ferrand, Pedro Leitão e José Abrantes
(Caixa)
Autores presentes
Para um autógrafo, um desenho e/ou uma conversa, eis os autores estrangeiros que será possível encontrar nos três fins-de-semana do Amadora BD 09:
24 e 25 de Outubro
Cameron Stewart (Canadá)
Karl Kerschl (Canadá)
Ramón Pérez (Canadá)
Miguel Angel Martin (Espanha)
Emmanuel Lepage (França)
Carlos Sampayo (Argentina)
Oscar Zarate (Argentina)
C.B. Cebulski (EUA)
31 de Outubro e 1 de Novembro
Giorgio Fratini (Itália)
Agim Sulaj (Albânia)
Korky Paul (Zimbabwe)
Mauricio de Sousa (Brasil)
Achdé (França)
Yosh (Suécia)
Natália Batista (Suécia)
François Boucq (França)
7 e 8 de Novembro
Javier Isusi (Espanha)
Alfonso Azpiri (Espanha)
David Lloyd (Inglaterra)
Zbigniew Kasprzak (Polónia)
Grazyna Kasprzak (Polónia)
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PARABÉNS ASTERIX
Pedro Cleto




JORNAL DE NOTÍCIAS - Última Página do dia 29 de Outubro de 2009
A HISTÓRIA DE… ASTÉRIX
o pequeno guerreiro gaulês
Não é muito alto, mas compensa a baixa estatura com a sua sagacidade… e com a poção mágica que lhe confere força sobre-humana, cujo segredo apenas o druida Panoramix conhece.
Rezam as crónicas (em banda desenhada) que Astérix nasceu em 85 a. C., enquanto decorria (mais) uma zaragata na sua aldeia, algo completamente normal, refira-se. Diz-se que os seus pais foram dois franceses, René Goscinny e Albert Uderzo, mas na realidade os seus progenitores chamam-se Bomboca e Astronomix. Actualmente habitam em Condate, onde gerem uma loja de artesanato gaulês, chamada “O Menir Voador”, mas quando Astérix nasceu, viviam onde ele ainda mora, numa pequena aldeia no norte da Gália, povoada por irredutíveis gauleses que resiste ainda e sempre ao invasor romano…
Celibatário até hoje, conhecem-se-lhe apenas duas paixonetas sem consequências: a gaulesa Falbala e a romana Latraviata. Apesar disso, quando lhe deixaram uma criança à porta, todos suspeitaram de um caso amoroso, mas veio a descobrir-se que o bebé era filho da rainha Cleópatra (que tinha um belo nariz).
Goscinny e Uderzo, na realidade, limitaram-se a fazer a crónica (aos quadradinhos) das suas muitas e bem divertidas aventuras, nas quais por diversas vezes exasperou o imperador Júlio César e distribuiu prazenteira e generosamente tabefes por quase todos os legionários romanos com quem se cruzou. Nelas, percorreu praticamente todo o mundo antigo conhecido, desde a sua Gália natal (à qual deu a primeira volta… a pé!), a países próximos, como a Hispânia, Germânia (o país dos godos), Normandia, Bretanha ou Helvécia, ou mais distantes, como o Egipto, a América, a Índia ou a Numídia. Em Roma, onde todos os caminhos vão dar, participou nos célebres jogos de circo no Coliseu, e em Atenas, conquistou uma coroa de louros nos Jogos Olímpicos.
Sem profissão definida, a tudo isto prefere o sossego da sua aldeia natal – apesar de até extraterrestres já lá terem aparecido - ou ir à floresta caçar javalis com o seu amigo e companheiro de aventuras Obélix, nascido no mesmo dia que ele, o tal que caiu na poção mágica quando era pequeno.
E hoje, tantos anos depois, continua a ter medo apenas de uma coisa: que o céu lhe caia em cima da cabeça! Mas, felizmente, como é uso dizer-se na sua aldeia: “Amanhã não será a véspera desse dia”!
JORNAL DE NOTÍCIAS - secção Cultura de 29 de Outubro de 2009
ASTÉRIX NÃO MUDOU EM 50 ANOS!
O riso é o mais importante em Astérix
Sinto-me orgulhoso por poder celebrar este meio século de amizade com os leitores!
F. Cleto e Pina
Chama-se Albert Uderzo e nasceu em Fismes, na França, a 25 de Abril de 1927. Os 50 anos de Astérix, que se cumprem hoje, foram o pretexto para uma conversa por mail, na qual evocou com saudade o seu amigo René Goscinny, bem como o passado e o futuro do herói que juntos criaram.
Jornal de Notícias - Como apresentaria Astérix a alguém que não o conheça?
Albert Uderzo - Quer dizer que ainda há leitores irredutíveis? (risos) Astérix é um valoroso guerreiro gaulês, não muito grande nem muito inteligente, mas astuto e desenrascado! Ele e os outros habitantes da sua aldeia só têm medo de uma coisa: que o céu lhes caia na cabeça! Sempre em companhia do seu fiel amigo Obélix e de Ideiafix, o seu cão, percorrem o mundo antigo para socorrerem as vítimas dos romanos. Para lhes darem uns ”tabefes” precisam de uma preciosa poção mágica preparada pelo druida Panoramix que lhes confere uma força sobre-humana e lhes permite alcançar todas as vitórias, que festejam sempre com um grande banquete!
JN – Como seria Astérix se fosse imaginado hoje?
AU – Como já é! Ele mudou muito desde a sua criação: cresceu, os seus traços afirmaram-se e a sua personalidade também! Obélix também mudou: a sua estrutura, algo quadrada nos ombros, atenuou-se em benefício da barriga, que cresceu! Todas as personagens evoluíram e estão muito bem neste tempo!
JN – Nos últimos 50 anos quem mudou mais? Astérix, o mundo ou Uderzo?
AU – Tenho que reconhecer que quem está mais marcado é este seu criado! Como diz a canção: Onde estão os meus 20 anos? Quanto ao mundo, não me parece que tenha mudado assim tanto e a prova é que os álbuns que escrevi com o meu amigo René Goscinny continuam a divertir muitos! Astérix não mudou! Não pode mudar, o seu mundo é imaginário! Não pode envelhecer: 50 anos depois, continua a viver em 50 a. C.!
JN – Que qualidades permitiram a Astérix resistir tanto tempo, com um sucesso sempre crescente?
AU – Talvez porque se manteve sempre num mundo de papel, aos quadradinhos! Um mundo que lhe permite defender e preservar sempre os mesmos valores, a sua aldeia, as amizades e os prazeres simples (a caça, os banquetes, etc…) E nós, autores, quisemos sempre preservar esses valores na série, com um ingrediente suplementar: o riso, que é o mais importante!
JN – Quais foram os momentos mais marcantes deste percurso de 50 anos?
AU – Houve tantos! O primeiro, foi sem dúvida o meu encontro com Goscinny, em 1951, porque sem ele, não teríamos criado a personagem! Depois, em 1959, quando imaginámos Astérix pela primeira vez, para a revista “Pilote”. E, evidentemente, quando tomámos consciência que se transformara num verdadeiro fenómeno, ao ouvir um homem na rua a chamar ao seu cão Astérix! O mais triste foi o desaparecimento prematuro do meu amigo René, que me deixou arrasado. E ainda, hoje, o cinquentenário desta personagem que, para meu grande prazer, continua a divertir pequenos e grandes. Sinto-me orgulhoso por poder celebrar este meio século de amizade com os leitores!
JN – Se pudesse voltar atrás, o que gostaria de mudar?
AU – A partida de René. Foi-se demasiado cedo e de uma forma demasiado violenta. Sinto muito a sua falta. De resto, não mudaria nada desta aventura gaulesa!
JN – Qual é o seu álbum de Astérix preferido?
AU – Tenho um carinho especial por “Astérix entre os Bretões”, porque adoro o trabalho que o René fez com a língua inglesa! Mas quando termino um álbum, raramente o releio; parto logo para o seguinte!
JN – Que história de Astérix ainda não contou?
AU – Todas as que ainda não foram escritas. E talvez aquela em que penso para a próxima vez! (risos) Já na época de René tínhamos a sensação de termos explorado todos os temas que podíamos desenvolver com Astérix. Hoje, o problema é o mesmo, Astérix já viajou por todo o mundo antigo conhecido e é muito difícil fazê-lo descobrir novas regiões!
JN – Porque é que Astérix nunca veio à Lusitânia?
AU – Eis uma bela ideia para uma viagem! Agora só tenho que encontrar a intriga (risos)!
(caixa)
Enquanto puder segurar um lápis, não cederei o meu lugar a ninguém!
No passado dia 22, foi posto à venda em duas dezenas de países (Portugal incluído), o 35º álbum das aventuras de Astérix. Intitulado “O aniversário de Astérix e Obélix – O livro de Ouro”, teve uma tiragem global de 3,5 milhões de exemplares e funciona como um momento de celebração da série.
JN – O álbum dos 50 anos é diferente dos outros…
AU – Para este aniversário queria algo especial. Um álbum onde todos os amigos de Astérix e Obélix lhes testemunhassem a sua amizade e lhes oferecessem uma prenda! Ao mesmo tempo presto uma homenagem a todos os leitores que seguem Astérix há tanto tempo! Então, imaginei uma espécie de álbum de recordações! É um conjunto de histórias curtas, todas com a temática do aniversário, que contam a preparação de todas essas prendas.
JN – Foi o último desenhado por si?
AU – Meu Deus, espero que não! Enquanto puder segurar um lápis, pode acreditar que não cederei o meu lugar a ninguém! É verdade que Astérix continuará depois de mim, já o anunciei e já trabalho com aqueles que me devem suceder, mas isso tem tempo!
JN - Vai deixar argumentos escritos para os seus sucessores?
AU – Ainda não pensei nisso e não preparei nada nesse sentido.
JN – Como imagina Astérix depois de Uderzo?
AU – Já houve um Astérix depois de Goscinny e espero que haja um depois de mim. Como o imagino? Espero que continue a divertir milhões de leitores em todo o mundo.
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René Gosciny (1926/1977) e Albert Uderxo (1927)
Claro que, como todos sabem, As Aventuras de Asterix, depois da morte de Gosciny, passaram a ser O Negócio Asterix... mas trataremos este tema em próximo post, a propósito da inenarrável exposição que o FIBDA deste ano dedicou aos 50 anos de Asterix.
Já agora, pode ver-se no blog da Asa Negra Comics (Hugo Teixeira e Ana Vidazinha) AQUI, uma interessante reportagem sobre o XVI SALÃO DE BD DE VISEU, que não tivemos aqui, este ano, oportunidade de acompanhar.
outubro 29, 2009
AMANHÃ JÁ ESTÁ À VENDA BANG BANG ULTIMATE 1, DE HUGO TEIXEIRA. E MAIS DUAS NOTAS EXPLICATIVAS A COMENTÁRIOS AO POST CRÍTICO SOBRE O FIBDA, DE DIA 26.
Foram dois anos de produção. Com BANG BANG 1 em 2007 e BANG BANG 2 em 2008. Agora Hugo Teixeira refez algumas pranchas e terminou a primeira parte da história dando origem ao BANG BANG ULTIMATE 1, o western futurista em estilo mangá - o primeiro mangá português. Só que o livro sai agora no formato tankobon, ou seja o formato mais utilizado no Japão. Assim, mais uma vez a Pedranocharco aposta num novo autor que tem vindo a progredir bastante e a criar um núcleo de fãs apreciável. Diga-se desde já que esta história será uma mini-série em três volumes, dos quais este é o primeiro.
Na compra, durante o FIBDA 2009 do BANG BANG ULTIMATE 1 oferecemos um exemplar de BANG BANG 2. E o Hugo Teixeira estará a dar autógrafos permanentemente, seja no espaço dedicado aos autógrafos, seja no próprio stand Pedranocharco/Asa Negra Comics.

Preço no FIBDA 2009: € 6,50
NOTAs EXPLICATIVAs: Dois comentários no post com o texto da minha crítica ao FIBDA deste ano referem que o stand Pedranocharco estava fechado durante a semana. Pois claro, durante a semana é quase pura perda de tempo manter o stand aberto, além de que, para quem trabalha até às 20:00h é impossível lá estar... até às 20:00h.
E já agora, meu caro Almadan, saíu beneficiado, porque só ontem (ver post de ontem com o desdobrável) tomei a decisão de oferecer toda a colecção do BDjornal - do #1 ao #18 - a quem comprar todos os números do ano 3, ou seja, do #19 ao #24. Passe por lá no fim de semana e não se vai arrepender.
Mas o comentário mais importante foi o do José Carlos Fernandes. E perante o que ele diz - e só tenho de "baixar as orelhas" pelo que me atrevi a escrever nesse texto sobre a não ida dele ao FIBDA deste ano - só tenho que deixar aqui as minhas desculpas, por ter usado, abusivamente, a ausência do JCF no Festival sem saber porquê, o que, apesar disso, não retira uma virgula a tudo o resto do que penso sobre o FIBDA.
Responderei ao comentário sobre os papalvos noutra oportunidade porque este caríssimo Tiago, não percebeu patavina do que eu disse, ou então não sabe, nem o que são papalvos, nem para que serve o espaço comercial de um Festival!!!
outubro 28, 2009
A PEDRANOCHARCO NO 20º FIBDA 2009
Vamos distribuir dois desdobráveis no próximo fim de semana do FIBDA. Aqui fica o primeiro. O segundo difere apenas no interior (face b) onde publicitamos os editores que estão connosco no stand Pedranocharco.


ESPERAMOS A VOSSA VISITA !!!
outubro 26, 2009
VIGÉSIMO ANIVERSÁRIO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DA AMADORA – O PRINCÍPIO DO FIM DE UM FESTIVAL?
A abordagem que faço este ano sobre o FIBDA aqui no Kuentro, será bastante diferente dos anos anteriores. Será muito mais crítica, mais incisiva nas questões organizativas, mais caustica na apreciação das opções estruturais e expositivas. Tudo por causa dos vinte anos do festival. E por pensar que já chega desta visão redutora que o FIBDA tem da banda desenhada, apesar de propalar o contrário. A organização (leia-se o director do Festival) argumenta que é este o modo como a Câmara da Amadora entende que deve ser um Festival virado para a divulgação da banda desenhada. Mas nós, os utentes e, já agora, os agentes da banda desenhada que se produz neste país, os principais interessados num evento desta natureza, achamos que um Festival erigido todos os anos sob a égide da CMA, e portanto com dinheiros públicos, deve reflectir também as opções daqueles que contribuem em larga escala (pela sua actividade editorial e comercial, pagantes maioritariamente de IVAs e IRCs) para a sua concretização.
Portanto, o que vai seguir-se neste blogue, será uma apreciação muitíssimo crítica do FIBDA durante as próximas semanas.

O 20º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DA AMADORA 2009, iniciou-se neste fim-de-semana (23/25 de Outubro) com alguns problemas estruturais, que pensávamos terem sido já arredados dele. Em primeiro lugar o espalhar-se por toda a Amadora, em cinco ou seis núcleos, em vez de se concentrar num único, como tenho defendido desde sempre e como actualmente se faz um pouco por toda a Europa.
Depois, a escolha das exposições parece-me desajustada (mais uma vez) daquilo que deveria ser sobretudo uma mostra das actuais tendências da Banda Desenhada, tanto as internacionais como as portuguesas. Mas como ainda não tive tempo de ver uma única exposição (o trabalho no stand da Pedranocharco é duro), baseio-me apenas no programa recebido online – uma vez que este ano o programa impresso não esteve pronto para o primeiro fim-de-semana, o que também é muito lamentável e desagradável – reservo-me uma mais fundamentada opinião sobre este aspecto, lá mais para o fim do Festival.
E começa logo aqui - na questão do Programa e do Catálogo - o desrespeito pelo público: um Festival com esta envergadura (real ou imaginária) tem obrigatoriamente que ter – sem quaisquer tipos de desculpas – prontos a tempo, o Programa e o Catálogo! Pelo menos dois dias antes do início do festival. E não servem as desculpas de que a equipa é pequena: aumentem-na se for necessário, ou então não gozem férias nos três ou quatro meses antes do Festival, como costumam fazer.
Depois, e de novo, o profundo desrespeito pelos editores e livreiros de banda desenhada, ao encolher drasticamente o espaço reservado aos stands comerciais em cerca de 30 ou mesmo 40% do espaço atribuído nas três últimas edições.
No FIBDA de 2006 os editores e livreiros foram chamados, em reunião conjunta, para apreciarem a maqueta do núcleo principal e pronunciarem-se sobre as melhorias introduzidas no espaço comercial. Dada a excelente proposta apresentada, ninguém se opôs e as coisas não correram mal. O esquema manteve-se em 2007 e 2008, tendo os editores e livreiros de BD sido chamados de novo (desta vez individualmente) apenas em 2007 para se pronunciarem sobre o dito espaço. Como em 2008 o espaço se manteve, nada havia a obstar. Agora, este ano, valha-nos o deus de Saramago!! !
A implantação do “carro eléctrico” (onde no ano passado estavam os desgraçados dos autores a dar autógrafos) no meio do excelente espaço de circulação e de convívio, que era em 2007 e 2008 o centro comercial do FIBDA, destruiu completamente uma estrutura funcional e arejada que fornecia uma dinâmica própria ao conjunto. A justificação – dada por um elemento da organização – é que se trata de uma estrutura que já estava feita e precisa de ser rentabilizada! Então, digo eu, destruam essa estrutura que não serve para nada e mesmo perdendo no mau investimento feito no ano passado com ela, ganharão certamente em credibilidade perante o público e perante os agentes da banda desenhada em Portugal (os únicos agentes que garantem a circulação da BD neste país).
Devo acrescentar, já agora, que ontem, domingo dia 25 de Outubro, por volta das 17 horas, no espaço comercial do FIBDA, o ar era completamente irrespirável, dada a concentração de pessoas e o péssimo arejamento do local, devido não só à redução do mesmo como ao sobre-preenchimento com o dito “carro eléctrico”. Foi num ambiente digamos, asfixiante, que decorreu o dia com mais afluência de público deste primeiro fim-de-semana.
Foi também o dia mais frustrante em termos de vendas porque foi o dia dos papalvos, aqueles que vão com a família toda visitar o FIBDA, mas não têm qualquer afinidade com a BD, em vez de irem ao circo (que não há) vão ao FIBDA com a chavalada toda e olham, olham, perguntam preços e depois, não compram nada! Vão ver as exposições - quase em passo de corrida - e não vêem rigorosamente nada. Entram no auditório quando está vazio, para descansarem… Enfim, felizmente para eles até há pipocas no FIBDA, para entreterem as proles.
Mas todos os anos existe um dia destes no FIBDA, desde que me lembro, só espero que não haja outro este ano.
E por tudo isto, volto a perguntar, como há dois anos atrás: para que serve afinal um Festival de Banda Desenhada em Portugal? Para mostrar exposições vistas pelos organizadores em qualquer outro sítio por essa Europa fora e que não têm nada a ver com que se faz actualmente? (Qual é o interesse actual nos 50 anos do Asterix, senão o comercialismo obtuso e sem significado real no modo de fazer BD?) Para mostrar meia dúzia de autores de mangá sem qualquer conexão com a realidade portuguesa – e mesmo europeia, quando se celebram em França os vinte anos da edição de mangá –, ou para mostrar… quantos autores portugueses? Nem o José Carlos Fernandes quis vir a esta edição do FIBDA para dar autógrafos… e isto já diz muita coisa. E mesmo com a pobreza editorial que grassa entre nós nos últimos anos, vão-se fazendo algumas coisas: os autores não param e os editores tentam (mesmo com o risco de sobre-endividamento que isso acarreta) apresentar material impresso, que é o meio, por definição própria, da apresentação e circulação da BD, das obras geradas.
Parece-me que, chegado à vigésima edição, o FIBDA – e com ele a Câmara Municipal da Amadora – tem que se questionar, se quer continuar a ser um Festival amorfo, como o que tem sido, ou se quer passar a ser um Festival interventivo no panorama da BD portuguesa e, quiçá, ibérica (mas terá, neste caso, que comer o pãozinho que o diabo amassou para suplantar Barcelona, Galiza, etc…), marcando ritmos, dando a ver tendências, apostando em iniciativas de ponta nesta área da BD. Se o quiser fazer, terá indubitavelmente que substituir TODA esta equipa organizativa do Festival por gente verdadeiramente conhecedora e capaz, não por funcionários públicos que marcam o ponto – e a maior parte do tempo nem isso – para ganharem o ordenadozito ao fim do mês. Esta gente não entende a banda desenhada, senão pela rama, não compreende as mudanças, não tem qualquer sensibilidade para gerar sinergias e, sobretudo, não sabe trabalhar com os agentes que, a muito custo, fazem circular e mantêm viva a “ideia” da BD neste país – por enquanto e até ver.

Espaço Comercial do FIBDA 2009.

O mesmo espaço em... 2007.

E fica aqui um pequeno video de circunstância, no final do domingo, dia 25 de Outubro, onde podem ver-se Andreia e Hugo Jesus escolhendo uvas, Hugo Teixeira, Mário Freitas, Rui Lacas, C.B.Cebulsky e Geraldes Lino conversando com Pedro Bouça...
Em próximo post vamos tentar perceber - sugerindo - como é que o espaço comercial do FIBDA podia ter ficado mais... desafogado!
outubro 19, 2009
CAMINHANDO COM SAMUEL, livro de bd de Tommi Musturi, pela MMMNNNRRRG
A partir de hoje ficam aqui também notícias sobre o 20º FIBDA 2009, como já é hábito neste Kuentro à muitos anos. Começamos com este lançamento da MMMNNNRRRG - CAMINHANDO COM SAMUEL, de Tommi Musturi, distribuído pela ChiliComCarne.
CAMINHANDO COM SAMUEL
livro de bd de Tommi Musturi
pela MMMNNNRRRG
Tommi Musturi é um dos autores mais importantes na Finlândia, e também como dinamizador da bd. Já visitou duas vezes Portugal: Salão Lisboa 2005 e a recente Feira Laica na Bedeteca de Lisboa, onde estava patente a exposição da antologia GlömpX, que participou como autor, comissariou e editou. Também já publicou em Portugal na revista Quadrado e no Mesinha de Cabeceira, tendo já um certo culto à sua volta.
Caminhando com Samuel é um livro universal porque a bd é muda (sem palavras), colorida e tão atraente que atinge vários quadrantes de público: o público infantil (embora haja um episódio sangrento), o adulto (que terá trips metafísicas), os colecionadores e os generalistas, os cromos da bd, da ilustração e do street-art (todos irão aprender com a técnica de Musturi), e até os "peter-pans" dos toys terão tesão - é uma promessa séria mas na MMMNNNRRRG sempre fomos muito sérios!
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140p. a cores, 21x21cm, capa Dura
PVP: 20€ (50% desconto para sócios, lojas e jornalistas)
exemplos de páginas : aqui / aqui / aqui
distribuído e promovido pela Chili com Carne
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locais de venda onde já se encontra o livro:
Braga: 100ª página
Lisboa: Artside, BdMania, Fábrica Features, Flur, Mongorhead
Madrid: Panta Rhei, Sins Entido
Moura: Ao sabor da leitura
Porto: CDGO.com, Central Comics, Kuri Kuri Shop
Torres Vedras: Casa Ruim
Cadeia de lojas: FNAC, Matéria Prima



