novembro 20, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #96 - ALGUNS RECORTES SOBRE O FIBDA 2009... E NÃO SÓ

Aqui ficam quatro textos que têm a ver com o FIBDA 2009, mas não só – de João Ramalho Santos (JL de 21 de Outubro) sobre o FIBDA e os livros BRK e Divide et Impera – Pedro Cleto (JN de 1 de Novembro) sobre os prémios do FIBDA 2009 - Pedro Cleto (JN de 2 de Novembro) sobre o próprio FIBDA e de Diana Garrido (jornal “i” de 6 de Novembro). Este último é uma entrevista com Benoit Peeters (que acabou por não vir ao FIBDA) e foi enviado pelo José Manuel Pinto.

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ESPECTRO

João Ramalho Santos

Quando se aproxima a vigésima edição do Festival de BD da Amadora é útil reflectir nas diferentes correntes de banda desenhada que, honra seja ao pluralismo do evento, têm sido acolhidas no certame ao longo dos anos. No entanto, é também justo sublinhar que esse acolhimento não tem sido sinónimo de um discurso consequente próprio, que capitalize o inegável potencial em termos de referência, a não ser em nichos localizados dependentes de vozes individuais fortes, como a BD nacional histórica (Leonardo De Sá) ou a BD experimental (Pedro Moura). Tudo o resto (e não é pouco) tem sofrido de uma programação importada, repetitiva, pontual, pouco ambiciosa e aparentemente apressada. Do ponto de vista pessoal considero que essa história menos feliz começa com a extraordinária oportunidade desperdiçada que (pense-se o que se pensar da ideia) foi o projecto das «100 BDs do Século XX», cuja gestão poderia ter colocado a Amadora no centro do debate sobre BD, um momento que se parece ter perdido. De qualquer maneira o evento mantém todo o interesse, sobretudo enquanto pretexto para apreciar edições ao longo de todo o espectro de possibilidades que compõem a BD. Até porque às vezes revelam surpreendentes afinidades em termos do que concretizam e do que deixam por concretizar.

Editado pela ASA o primeiro volume de BRK exprime as qualidades e defeitos já pressentidos aquando da sua serialização no BDJornal. Do ponto de vista de acção e entretenimento «puro» (difícil de medir já que não existe) BRK impressiona em termos de competência narrativa e planificação, quer ao nível do desenho (óbvias influências nipónicas e norte-americanas), quer do argumento. E não só porque a BD portuguesa tem sido notoriamente incompetente a produzir trabalhos deste género; BRK mereceria o elogio mesmo comparando com BDs de outros mercados, mais exigentes. Mas, nesse caso, a comparação tem de ser levada até ao fim. E o grande problema de BRK é também óbvio: neste volume não acontece quase nada, e o que acontece (um pouco na onda de Lost ou Heroes) não se percebe. Uma insuficiência que, por sua vez, exacerba os muitos clichés do argumento, de personagens a situações. Dir-se-á que esta é uma introdução ao universo, ou que o ritmo é semelhante ao dos modelos nos quais BRK se inspira. Tudo isso é verdade, mas a obra também tem de se adaptar ao formato e às realidades do mercado, e BRK terá de apresentar (rapidamente) um segundo volume mais consequente, de modo a concretizar aquilo que de bom indicou até agora.

Organizado por Pedro Moura Divide et Impera está nos antípodas de BRK, embora ambos tenham problemas de superfície. Reunindo trabalhos de autores que trabalham nas fronteiras da banda desenhada! ilustração, que questionam o esticar dos seus códigos representativos, e que estabelecem relações com outras formas de Arte, o livro corresponde a um catálogo da exposição homónima que teve lugar na Amadora. O trabalho dos autores seleccionados pode ser experimental, multi-referencial, propositadamente «inacabado» (como defende o texto), e certamente exige muito mais do que a linearidade de BRK. Mas há uma fronteira dúbia entre profundidade e obscurecimento, entre múltiplos significados e nenhum. Claro que um leitor pode sempre ser acusado de «não perceber», «não fazer o esforço necessário», «não possuir as ferramentas essenciais». Tudo isso é possível e defensável. Como também o é que, por vezes, o rei vai nu. Divide et Impera é um livro estimulante na mesma proporção em que frustra (e talvez seja esse o objectivo). No caso particular de Andrei Molotiu (e levando em linha de conta igualmente o recente Abstract Comics, por si editado) há uma tentativa constante de aproximação à ARTE-com-maiúsculas (quer no estilo, quer no tom, quer no formato) que me parece particularmente inútil, porque subserviente. Do mesmo modo, e embora tragam uma variedade temática de género ao projecto, as colagens algo óbvias de Aerim Lee pouco estimulam. Já as citações de Frédéric Couché ou Ilan Manouach (sobretudo o primeiro) têm outro interesse, ao surpreenderem nas associações que propõem sobre as fronteiras, no caso entre o «concreto» e o «grotesco». Um grotesco concretizado tout-court por Fábio Zimbres e André Lemos, «simples» e circular o primeiro, ajoujado de referências o segundo, embora se liberte decisivamente em peças como Solidesque. Mas são as surpreendentes e delicadas atomizações-reconstruções-associações sobre «vazio» de Warren Craghead III a valer o projecto, como já tinham valido a exposição homónima.

Parece hoje evidente que nos grandes festivais deBD (Amadora, mas também Beja) há hoje um discurso forte e sólido num dos extremos daquilo que pode ser a banda desenhada, balizado por Pedro Moura (no sentido em que aprofunda autores como Farrajota ou Figueiredo Costa, e, mais importante, toma legível Isabelinho). Simplesmente não chega. Não deixa de ser irónico que este seja hoje (isto é discutível, mas comprovável) o discurso predominante em tomo da BD em Portugal, tal como a BD alternativa por aqui Impera. Qualquer alternativa terá, forçosamente, de ser menos «alternativa». Talvez fosse útil concretizar mais esse discurso noutras formas de BD, trazer para os Festivais de forma consequente autores que (de Trondheim a Seth e Mazzucchelli) cruzam referenciais e obrigam a pensar sem exasperar (sempre).•

BRK VOLUME 1. Argumento de Filipe Pirw, desenhos de Filipe Andrade.
ASA, 86 pp, 16,50 euros.

DIVIDE ET IMPERA. Visão de Pedro Moura, trabalhos de Warren Craghead III, Fábio Zimbres, Frédérie Coehé, Andrei Molotiu, Aerim Lee, André Lemos, Ilan Manouaeh. Montesinos, 110 pp, 15 euros.

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Jornal de Notícias - Secção Cultura de 1 de Novembro de 2009

JOSÉ CARLOS FERNANDES E LUÍS HENRIQUES VENCEM NA AMADORA

F. Cleto e Pina

O álbum “A Metrópole Feérica - Terra Incógnita, vol. 1” (Tinta da China) foi o grande vencedor dos Prémios Nacionais de BD, anunciados ontem no Amadora BD 2009, ao arrecadar os galardões para Melhor Álbum Português, Melhor Argumento (para José Carlos Fernandes) e Melhor Desenho (Luís Henriques).

Segundo o argumentista, esta é uma série de “histórias curtas surreais, que têm em comum cidades ou lugares imaginários”, mas que são muito próximos da nossa realidade, através das quais explora até à exaustão pressupostos absurdos tornados incomodamente possíveis ou exagera tiques de modelos governativos totalitários, que provocam sorrisos, mas também obrigam pensar até que ponto o controle do indivíduo não pode tornar-se uma obsessão perigosa, num tempo em que é tão fácil ser escrutinado cada instante do nosso quotidiano…

Em termos nacionais, o grande derrotado, acaba por ser “A Fórmula da felicidade, vol. 1” (Kingpin Books), da autoria de Nuno Duarte e Osvaldo Medina, igualmente nomeado nas três categorias e sem dúvida um dos grandes álbuns portugueses do último ano.

Outro vencedor foi o primeiro tomo de “A Teoria do Grão de Areia” (ASA), de Schuiten e Peeters, distinguido como Melhor Álbum Estrangeiro e também com o Prémio Juventude. A mesma editora arrecadou ainda o troféu Clássicos da 9ª Arte, por “Blake e Mortimer - A Marca Amarela”, de Edgar P. Jacobs.

“Cão fedorento” (Gradiva), de Mike Peters, foi eleito o Melhor Álbum de Tiras Humorísticas, a Cristina Sampaio foi entregue a distinção para Melhor Ilustração para Literatura Infantil, pelo livro “Canta o Galo Gordo” (Editorial Caminho), enquanto que a escolha de Melhor Fanzine recaiu no “Venham + 5” (Bedeteca de Beja), coordenado por Paulo Monteiro.

O Amadora BD 2009, a decorrer no Fórum Luís de Camões até dia 8 de Novembro, tem como destaques hoje as presenças de Maurício de Sousa, autor da Turma da Mônica, de Achdé, actual desenhador de Lucky Luke, e de Giorgio Fratini, autor do surpreendente e muito interessante “Sonno Elefante – As paredes têm ouvidos” (Campo de Letras), sobre as memórias do edifício que serviu de sede à PIDE.

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Jornal de Notícias - Secção Cultura de 2 de Novembro de 2009

AMADORA BD VAI A MEIO: CENTENAS DE ORIGINAIS E CONCORRIDAS SESSÕES DE AUTÓGRAFOS

F. Cleto e Pina

O Amadora BD 2009 cumpriu ontem o seu segundo fim-de-semana, o que já permite um balanço, positivo mas com aspectos a corrigir, da edição em que se cumprem 20 anos da grande festa nacional dos quadradinhos.

Desde logo, é notório que a efeméride não teve a pompa que o passado do festival justificava, faltando-lhe, principalmente, (mais) um ou outro nome sonante. O que não invalida a qualidade da programação nem um dos grandes méritos do evento, as centenas de originais expostos, alguns enquadrados por apelativas cenografias, como as exposições de Rui Lacas (autor da conseguida linha gráfica do evento), Giorgio Fratini, António Jorge Gonçalves ou Osvaldo Medina. Ou os que valem só por si, como os belíssimos desenhos de Emannuel Lepage ou a mostra de BD polaca, a surpresa deste ano pela diversidade e riqueza gráfica.

Neste contexto, pela negativa, surge a mostra mais mediática do festival, que percorre meio século de carreira de Maurício de Sousa, homenageado com o Troféu de Honra dos 20 anos, “perdida” nos fundos do piso inferior e onde os muitos originais, dos primórdios até ao beijo da Mônica e do Cebolinha na Turma da Mónica Jovem, mereciam um melhor enquadramento cénico, pese embora a presença de um gigantesco coelh(inh)o Sansão, e que a sua especificidade até facilitava. Por si só, justificava-o a popularidade do pai da Mónica, revelada, no sábado, pela fã que se desfez em lágrimas perante o abraço do homem que há 10 anos lhe enviou uma revista autografada em resposta a uma carta ou pelo facto de a fila de autógrafos para o autor ter sido fechada antes ainda de ele chegar ao recinto! Filas bem grandes tiveram também Boucq e Achdé, este mesmo sem a organização ter feito qualquer alusão ao facto de ele ser o actual desenhador de Lucky Luke, o que aponta outro aspecto a rever: a ausência de informações relevantes sobre os convidados.

Outra nota negativa vai para a arquitectura da zona comercial, com algumas bancas minúsculas e outras interiores e com pouca visibilidade, num menosprezo de um factor importante porque se os originais de BD são belos e atractivos, esta arte é antes de tudo para fruir através da leitura da obra impressa. E nisso, o Amadora BD continua a afirmar-se como data de eleição para o lançamento ou divulgação de obras nacionais, como “Mucha” (Kingpin Books), de David Soares e Osvaldo Medina, “Asteroid Fighters”, de Rui Lacas, “Israel Sketchbook”, de Ricardo Cabral, “BRK” (todos da ASA), de Filipe Andrade e Filipe Pina, ou “Bang Bang Ultimate #1” (Pedranocharco), de Hugo Teixeira, ilustrativas da diversidade de propostas da nossa BD e cujos autores também provocam concorridas sessões de autógrafos.

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JORNAL “I” DE 06/11/2009.

AS CIDADES UTÓPICAS DE SCHUITEN E PEETERS

Os vencedores do Melhor Álbum Estrangeiro de BD falaram ao i sobre
"As Cidades Obscuras", o prémio e a inspiração que mantêm há 29 anos

Diana Garrido
diana.garrido@ionline.pt

O escritor Benoit Peeters é um gigante da BD, mas quem fala com ele não dá por isso. Disponível, falou com o i no táxi, ao telefone, e nem quando chegou a altura de pagar aproveitou para despachar a jornalista. "Ligue-me dentro de dois minutos." No domingo estará com Schuitten no festival de BD da Amadora, para receberem o prémio de melhor álbum.

Trabalham juntos desde 1980 e têm 12 livros da série "As Cidades Obscuras". Não vos começa a faltar inspiração?

Somos amigos há mais de 40 anos e sempre que estamos juntos falamos de novas histórias. E na verdade não são assim tantos livros. Dá um cada dois ou três anos. Temos muito tempo para pensar em coisas novas. E o mundo à nossa volta está em constante mudança e nós mudamos com ele. Nos anos 80 criticávamos o urbanismo moderno, mas depois o mundo mudou e houve outras questões que se tomaram importantes, como o fim das fronteiras e os problemas ecológicos, como na "Teoria do Grão de Areia". Os nossos livros são metáforas e o mundo real aparece como inspiração.

Como é o vosso processo criativo?

A concepção e organização do livro é feita em conjunto. Temos de ver o mundo imaginário que criamos, da mesma forma, temos de o sentir da mesma maneira, em todos os pormenores. Mesmo tratando-se de um universo fantástico, tudo tem de ser coerente e passível de funcionar ou acontecer. Não é ficção científica nem pura fantasia: e uma história fantástica muito próxima da realidade e do nosso mundo. E deixamos sempre espaço para o elemento surpreso. Sabemos para onde queremos ir mas não sabe mos totalmente como lá vamos parar.

E este último livro, "A Teoria do Grão de Areia"?

Foi resultado de um debate de ideias entre os dois. Algumas das personagens são inspiradas em amigos, quer fisicamente quer em traços de personalidade. Alguns até posaram para que o François os desenhasse. E isso é importante, porque queremos que algumas das nossas personagens sejam mais simpáticas.

O vosso trabalho é discutido em universidades e sites. Qual é a sensação?

É maravilhoso, e por isso tentamos não desapontar nem desiludir os leitores, fazendo de cada livro algo necessário, e realmente novo. Algo em que possam acreditar. Seria muito triste criar um mundo em que só eu e o François acreditássemos.

Vem a Portugal receber o prémio de melhor BD estrangeira para o último livro. É mais um entre muitos?

Não! Além de ser o primeiro prémio que recebemos por "A Teoria do Grão de Areia", Portugal sempre foi dos países com maior interesse no nosso trabalho e isso é muito curioso. Talvez tenhamos alguma sensibilidade portuguesa, não sei. Tivemos prémios em França e na Bélgica, mas aí é diferente, mostra que o nosso trabalho vai alem da nossa vizinhança e que tem a sua própria força.

Este livro é o último da série?

Não. Acabamos um agora (ainda não posso revelar o titulo) e daqui a uns meses vamos começar outro projecto. Criámos um universo e temos a possibilidade de fazer sempre coisas novas. Não somos prisioneiros de um conceito fechado. O único limite é a nossa imaginação e o nosso talento. Podemos até fazer uma história de detectives que tenha lugar nas Cidades Obscuras. Porque não? -

François Schuiten
Nasceu em 1956, em Bruxelas, e é o desenhador de serviço. Trabalha em cenografia e pelo conjunto do seu trabalho recebeu o prémio Angoulême, que é o equivalente ao Óscar da BD.

Benoit Peeters
Nasceu em Paris também em 1956 e é o responsável pela escrita. Publicou dois romances e experimentou vários géneros literários. É especialista em Hergé, sobre quem publicou duas obras.

A TEORIA DO GRÃO DE AREIA
Schuitten-Peeters
(Edições ASA - 17,50 euros)
Abeels colecciona uma série de pedras que aparecem misteriosamente no seu apartamento. Uma mulher acumula grandes quantidades de areia. Maurice perde peso sem emagrecer. Com o passar dos dias, os fenómenos estranhos multiplicam-se.

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novembro 18, 2009

20º FIBDA – AmadoraBD 2009 – sinais e… públicos.

Antes de mais, gostaria (caso tenham pachorra para isso, mas recomendo vivamente) que lessem três textos relativos ao FIBDA 2009: o de Mário Freitas: Amadora 2009 – Eu contribuí. E vocês? – o de Hugo Teixeira: Nós tentámos e vocês?... – e o de Pedro Moura (mais os respectivos comentários), sobre a exposição que comissariou este ano no Festival: FIBDA 2009, Contemporaneidade.

São três textos que constituem alguns dos sinais sobre aquilo que se pensa (e sabe) sobre o Festival AmadoraBD/FIBDA em geral.

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Recebi esta semana (penso que muita gente deve ter recebido) o comunicado – do FIBDA, via Pedro Simões, Marketing e Comunicações, Patrocínios e Logística - que se segue:

A Câmara Municipal da Amadora organizou, entre os dias 23 de Outubro e 8 de Novembro de 2009, a 20ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada - Amadora BD, o maior evento do género em Portugal e um dos mais reconhecidos a nível mundial, em termos de organização, qualidade artística das exposições, presença de autores nacionais e estrangeiros, sessões de autógrafos, debates, espaço comercial, apresentação de livros, além de muita animação.

As 31.100 pessoas que este ano visitaram o nosso Festival, representam um aumento de cerca de 8% no número de visitantes em relação ao ano de 2008 e de 27% desde 2005. Números estes que mostram a capacidade de atrair cada vez mais visitantes e a fidelização de públicos culturalmente qualificados.

Caminhado a passos largos para a 21ª edição do Amadora BD, continuaremos a dedicar todo o nosso empenho na qualificação do nosso Festival, contando desde já com a sua colaboração para 2010.

Em nome da Câmara Municipal da Amadora, e da Organização do Amadora BD, venho agora agradecer formalmente a sua contribuição e encontrá-lo para o ano em mais uma edição.

Excelente número de visitantes! E aplaudo vivamente, como é lógico. E tal como senti, no 3º fim-de-semana do Festival, que os visitantes tinham aumentado este ano – não porque os tivesse contado, mas pela percepção que 18 anos de FIBDA me puderam fazer intuir – o meu feeling confirma-se. Contudo, na minha opinião, e conforme vou monstrar no texto final sobre o FIBDA 2009, um qualquer relatório desta natureza, não apenas relativo ao FIBDA mas extensível a todos os Festivais de BD, não deveria apenas relatar o número de visitantes. Deveria também incluir a quantidade de livros vendidos.
Aí sim, poderíamos aquilatar da importância absoluta de qualquer Festival na “industria” da BD neste país: X visitantes – X livros vendidos.

E atenção, isto não é uma crítica ao Festival em si, porque também sei perfeitamente que os livreiros e editores, em Portugal são absolutamente avessos a divulgar números, embora considere isso uma cretinice de mercearia de bairro (o segredo é a alma do negócio… dizem, ou subentendem) e por esta razão não temos nunca – e se calhar nunca conseguiremos vir a ter – qualquer estatística fiável sobre o estado do mercado da BD em Portugal.

E já agora, a propósito, chamo a atenção para os relatórios da ACBD (Associação de críticos de Banda Desenhada em França), onde podemos perceber a evolução do mercado francês, ou mesmo o franco-belga, divulgados ali publicamente número a número.

Mas enfim, quantidades de livros não são quantidades de euros – não é propriamente acerca de ganhos ou perdas financeiras que se pedem números, mas apenas de exemplares vendidos!

Só assim se poderia perceber se o aumento do número de visitantes do FIBDA se traduz num aumento de interessados – de facto – na Banda Desenhada, ou se foram apenas “curiosos” – para não usar uma palavra que escandalizou algumas pessoas – que não encontraram outra distracção mais barata.

E adianto desde já que o stand Pedranocharco (não contando com a Asa Negra Comics) vendeu uns 298 miseráveis exemplares – entre livros e fanzines de 4 editores –, contrastando com os 539 vendidos em 2008. Gostaria de saber os números de exemplares que se venderam no Festival deste ano, por isso desafio os editores e livreiros que participaram na zona comercial – tanto os do lado da “quinta da Marinha”, como os do lado do “morro da Falagueira”, a deixarem aqui, como comentário, esses números. Mas penso que não haverá coragem para isso….

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novembro 17, 2009

COLÓQUIO INTERNACIONAL RAFAEL BORDALO PINHEIRO NO SEU TEMPO

bordpinh0.jpg Rafael Bordalo Pinheiro (Lisboa, 21 de Março de 1846 — 23 de Janeiro de 1905)

Terá lugar amanhã, dia 18 e até sábado 21, um colóquio internacional subordinado ao tema "Rafael Bordalo Pinheiro no Seu Tempo", organizado pela Universidade Nova e no qual Leonardo De Sá fará uma intervenção sobre "A Invenção da BD em Portugal" e o Rui Zink outra sobre o José Vilhena, o programa final encontra-se aqui em baixo. Mas também pode ser visto, com mais detalhe, AQUI.

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novembro 14, 2009

XX FIBDA/AMADORABD 2009 – 2

A EXPOSIÇÃO - MANGÁ DO ORIENTE E DO OCIDENTE

Duas décadas de mangá no continente europeu deixaram marcas indeléveis na produção e indústria local. Hoje, 40% da indústria de BD no continente tem o dedo dessa estética, que começou a partir da publicação de Akira, de Katsuhiro Otomo e, a partir daí, foi como uma bola de neve, nunca mais parou e foi crescendo. Não foi nem é uma moda, porque modas são coisas passageiras, efémeras: é uma realidade, concreta e sólida, que extrapolou os media em si e se tornou um movimento cultural que ultrapassou as próprias origens, gerando iniciativas de produção ao redor do mundo – comparativamente, é o rock do traço, influenciando toda uma geração de jovens leitores e artistas. Por Hugo Teixeira in asanegracomics.blogspot.com

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Logo da Exposição do Centre Belge de la Bande Dessinée.

Comemoraram-se este ano 20 anos de mangá na Europa com uma exposição a preceito no Centre Belge de la Bande Dessinée em Bruxelas. Isto apesar de alguns especialistas considerarem que o fenómeno mangá começou a circular em certos países europeus mais cedo do que os vinte anos agora comemorados.

Mesmo sabendo disto, a organização do FIBDA não pôde ou não quis associar-se convenientemente a esta comemoração, optando por realizar uma exposição que, não sendo de todo má, podia ter sido bastante melhor, maior e mais abrangente do que a pobreza “franciscana” que apresentou. Sobretudo, podia ter aproveitado para, como lhe terá sido até sugerido, mostrar os efeitos entre autores portugueses, das influências da banda desenhada que se produz no Japão, nestes vinte anos de divulgação europeia. Ou de como a eclosão do fenómeno levou a que aparecessem em Portugal (como aliás em outros países europeus) autores – mas muito mais e sobretudo, autoras – que, sem esse exemplo, nunca teriam enveredado pela banda desenhada. Podia ainda ter-se aproveitado para mostrar como a divulgação da mangá e dos comics, criaram o estilo “globalizante” que actualmente caracteriza a maioria das BDs que se produzem na Europa, e obviamente em Portugal também – basta ver o exemplo BRK.

Assim, o FIBDA optou por mostrar, na exposição “Mangá, animé e mangá europeia”, ou “Mangá do Oriente e do Ocidente” (o título na exposição era o segundo, no Catálogo, o primeiro) o trabalho de cinco autores japoneses - Amica Kubo, Hiroko Ichinose, Joko Tomoyoshi, Uekusa Wataru e Nonaka Toshiki –, de duas autoras suecas – Yiosh e Natália Batista (a primeira de ascendência nipónica, a segunda de ascendência portuguesa) –, e de quatro portuguesas – Rita Marques, Cristina Dias, Shoot to Kill e Manuela Cardoso. Tudo isto sem qualquer programa específico e sem qualquer lógica expositiva – ou mesmo explicativa – de integração no fenómeno. De referir que Pedro Mota, no texto que apresenta no Catálogo, nem sequer aborda nada do que se pareça com o que se diz mais acima neste texto.

Quanto a mim, isto são oportunidades completamente perdidas, porque deveria ser nestes “programas” que o FIBDA devia apostar, para poder considerar-se interveniente na BD que se faz neste país, e até mesmo no estudo dos movimentos que se vão criando.

Para aviso à “navegação”, direi que abordarei apenas no texto final sobre o FIBDA 2009, as questões relacionadas com os 20 anos do Festival e da sua influência ou não na BD que se produz por cá!

Vejamos então algumas fotos sobre esta exposição e alguns autores em Autógrafos.

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E as crianças, mais as pinturas que as entusiasmam. Deixai vir a nós as criancinhas, que delas será o reino da BD!!!

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E fica aqui o último védeo que consegui fazer no FIBDA, mas onde podem ver-se algumas exposições, algumas coisas do Cosplay, a actividade no "reino das crianças", ambientes, etc...:

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È só clicar na imagem!

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novembro 10, 2009

IMPRESSÕES CRÍTICAS DE UM VISITANTE DO 20º FIBDA/Amadora BD 2009...

Caríssimos, aqui fica um texto que recebi de um amigo do Porto, que visitou o Festival da Amadora e resolveu enviar-me directamente para o email o texto que a seguir (e com autorização do autor) deixo à vossa disposição.

Seria interessante que mais bedéfilos (ou simples curiosos da coisa) se pronunciassem, sem aquelas cretinices dos que tomam os críticos por "mal dizentes"...

" (...) Fui na 4.ª feira, dia 4/11, visitar o Festival da Amadora. E, sinceramente, não fiquei suficientemente “agarrado” para voltar a este Festival.

Primeiro - pela dispersão de locais da exposição, e a falta de um mapa da Amadora com indicação de locais e forma de transporte; nem na Câmara Municipal da Amadora havia um mapa da cidade, nem na Junta de Freguesia da Mina, aqui só da freguesia (de notar que sou do Porto e não conheço a Amadora), indicação que dei no CNBDI e informaram-me que se encontrava no sítio do festival na net a indicação, que, talvez por insuficiência minha, não encontrei.

Segundo – pelos stands fechados, embora já sabendo que isso poderia acontecer (tinha lido a explicação da Pedranocharco sobre o estar fechada, que entendo), mas penso, como acontece noutros acontecimentos do género nos quais a Organização assume o manter os stands abertos com a responsabilização dos artigos expostos e para venda.

Terceiro – alguma falta de critério na exposição, como aconteceu com os “50 Anos de Astérix”, mais parecia uma exposição de “Astérixomania” (desculpe o termo que não existe). E por último a desilusão que foi a exposição das “Revistas de BD do tempo dos nossos avós”, não digo sem qualquer interesse mas demasiado curta para quem gosta de BD, as que lá estavam eram do meu tempo de miúdo, e estar numa biblioteca, onde, por norma, devem existir muitos mais exemplares de revistas do tempo dos nossos avós, mesmo sendo uma biblioteca recente, ou estarei a ser muito exigente?

Não consegui ver tudo, não vi a exposição sobre o Adolfo Simões Muller, na Casa Roque Gameiro, que gostaria imenso, nem a Kidzania Portugal, no Dolce Vita Tejo, mas penso que as outras que vi (CNBDI, Recreios da Amadora, ESTC,GM Artur Bual), poderiam ter sido melhor expostas e explicadas a quem as vai visitar, pois se não se tiver algum conhecimento sobre os expostos só se fica com a ideia dos seus desenhos e, como no caso dos Recreios da Amadora, nem sequer há um folheto dizendo que obras que têm publicadas, quem são, isto podendo-se ler no painel no local da exposição.

Quanto ao Fórum Camões, numa parte uma exposição com algum brilho, mas noutra o brilho perde-se. Nalgumas a luz poderia ser melhor, pois ao reflectir nos vidros das pranchas tinha que se procurar posição para ver a prancha exposta. No fundo, sem poder fazer comparações com anteriores Festivais fica-se com a ideia que se perde força neste festival, até no catálogo dos anteriores e deste a diferença é grande, e, em conversa com quem visitou o Festival no primeiro local e agora neste, fiquei com a ideia que o Festival perdeu com a mudança, tendo, agora, menos espaço ou não melhor exposição.

Algumas das críticas foram apresentadas a pessoas ligadas ao festival e, devo salientar, a forma como me trataram, arranjando boleia para dois locais, o CNBDI e a Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, fui privilegiado nesse aspecto, mas não invalida o que disse e digo. Outra coisa que me espantou foi que perguntando se o CNBDI era o sucessor do CPBD, não me souberam dizer… (...)"

Só para esclarecer, até o próprio autor do texto, que os Stands são alugados pelos interessados, especificando o horário em que os querem abertos ao público. É lógico que a maioria dos editores e livreiros não tem condições para estar no stand durante toda a semana - geralmente porque, ou tem emprego, ou tem uma loja aberta onde factura mais do que no FIBDA durante esses dias.
O FIBDA não tem qualquer interferência nesse aspecto, a não ser enquanto existiu uma loja comum - o que já não acontece à uns tempos, apesar de a Livraria Dr. Kartoon se ter vindo a disponibilizar para uma coisa do género nos últimos anos.

E, já agora, convido-vos a ir ao Blogue do Pedro Cleto, AQUI, para lerem sobre O Muro de Berlim e a BD.

Publicado por jmachado em 10:20 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)

novembro 09, 2009

20º FIBDA/AmadoraBD 2009 - 1

Começo hoje a reportagem fotográfica sobre o 20º FIBDA – AmadoraBD 2009, sem contudo fazer uma grande abordagem crítca – apenas alguns reparos casuais, à laia de comentários às exposições.

Em minha opinião apresentaram-se algumas exposições excelentes e outras inclassificavelmente más. Umas com conta, peso e medida – outras sem qualquer critério: talvez apenas “para encher” – e isso é uma abordagem negativa sobre “o que deve ser um Festival de BD”.

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Ainda tentei encontrar um ponto de perspectiva que pudesse mostrar a “praça sul” (área comercial e de pausa/convívio) mas não consegui sequer ângulo que pudesse aproximar as vistas. Aqui ficam as duas fotos – em cima, no Festival de 2008 e em baixo a vista possível mais ou menos do mesmo ângulo, no Festival de 2009.

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Outra “comparação” impossível – este ano não se conseguia sequer fotografar os stands de frente (não havia profundidade suficiente). À esquerda, stand Pedranocharco/Asa Negra Comics no FIBDA 2009, à direita no FIBDA 2008.

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Comecemos por algumas das piores coisas: os “50 Anos de Astérix”. Uma exposição de objectos de colecção que ficaria bem como complemento de uma exposição histórica “a sério” sobre Asterix, ainda por cima comemorando os cinquenta anos da criação da série. Mas nada, nem um originalzinho, nem uma pranchazita para exemplo do que é esta BD como BD, a evolução dos “bonecos” desde 1959 – que é evidente nas primeiras histórias – a comparação crítica da série com Goscinny até ao nº 24 e do nº 25 até ao inenarrável nº 34, sem Goscinny… nada, apenas o merchandising, que toda a gente pode ver nas lojas sem precisar de ir ao FIBDA (e vá lá, pudemos ver algumas publicações antigas de permeio, mais raras de encontrar por aí).

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Comparem-se as áreas de exposição dos “50 anos de Astérix” e a despropositada extensão da comemorativa dos “50 anos de carreira de Maurício de Sousa”. Não contei as pranchas, mas foram expostas mais de uma centena de pranchas mauricianas, quase de certeza! É obra!!

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E para que não se diga que só aponto os lados negativos do FIBDA, o que é falso – na edição do ano passado, por exemplo, não destaquei nenhum aspecto negativo na Edição – vamos aos positivos: a modernização da imagem gráfica do Festival merece nota quase… máxima, muito em especial a substituição do antigo e caduco logótipo (que já nem era muito utilizado). A designação de “AmadoraBD”, em vez de “Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora” (designação esta que permanece, mas em subtítulo, digamos) é a adopção daquilo que quase todos lhe chamavam já. Depois, a excelente imagem gráfica que o Rui Lacas “pariu” para a edição deste ano: uma das melhores, senão mesmo a melhor de sempre!!! E depois a também excelente exposição do trabalho de Lacas, o “Merci Patron”/”Obrigada Patrão”, que ganhou, em 2008, o prémio do FIBDA para o melhor livro de BD. Parabéns, Lacas – e… esta é pessoal: vai descansar um bocado, pá!

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E por agora, fica aqui o pequeno vídeo, onde se podem ver, o “afunilamento” do corredor onde estiveram os stands do “morro da Falagueira”, os autógrafos, de Maurício de Sousa, Hugo Teixeira e Rui Lacas e alguns aspectos da Festa da Caricatura, que decorreu no corredor de entrada…

Basta clicar na imagem, como de costume.

Publicado por jmachado em 09:28 PM | Comentários (3) | TrackBack (0)

novembro 08, 2009

CONTACTO DE JOSÉ CARVALHO

Caros kuentrófilos, será que alguém conhece o contacto do bedéfilo José Carvalho, habitual presença nos FIBDAs e que esteve na fila de autógrafos para o Schuiten neste dia 8/11/2009? Vejam a foto abaixo. É urgente!

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Publicado por jmachado em 10:39 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)

novembro 06, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #95 - João Miguel Lameiras no “Diário As Beiras” (mas no seu novo blogue) + texto publicado no jornal "i" e… emenda de uma gafe fotográfica.

Sempre que se fazem coisas à pressa, corremos o risco de acontecer qualquer erro lamentável. Pois foi assim no último post deste blogue: procurar uma foto do Peeters a toda a velocidade e… postar a foto que estava ao lado (por ordem alfabética de apelidos no arquivo), que era do Spiegelman. Tenho que me desculpar perante os leitores do Kuentro. Só agora consigo emendar a coisa porque estive fora de casa quase três dias.

Fica também AQUI o link para o blogue do João Miguel Lameiras (Por um punhado de imagens: http://www.porumpunhadodeimagens.blogspot.com/) , onde o escriba posta os seus textos que são publicados no Diário As Beiras e muitas outras opiniões que, espero, sejam motivo de visita obrigatória. Já não era sem tempo a aposta de JML num blogue (à semelhança de Pedro Cleto, que também criou o seu – As Leituras do Pedro), uma vez que é muito difícil adquirir o “Diário As Beiras” nesta minha zona e as aquisições online, nem sempre deram bons resultados.

O TEXTO DE João Miguel Lameiras no "Diário As Beiras" (31Outubro2009) e no blogue Por um punhado de imagens:

Na última sexta-feira, dia 23 de Outubro, começou no Fórum Luís de Camões, na Brandoa, arredores de Lisboa, mais uma edição do Festival de Banda Desenhada da Amadora, o maior evento do género em Portugal e que este ano comemora 20 anos de actividade.

Infelizmente para a organização do Amadora BD (nova designação que, junto com o novo logótipo, mostram a preocupação de modernizar a imagem do Festival), as eleições autárquicas foram antes da data habitual do Festival e não deve ter sobrado muito dinheiro para comemorar condignamente esta data redonda, o que obrigou a cortes variados, do catálogo, bastante mais modesto do que em anos anteriores, à própria área de exposição e à zona comercial, com claro prejuizo para as pequenas editoras e lojas, encafuadas em stands com um metro de frente… Mas, mesmo com um orçamento bastante inferior ao dos anos anteriores, ainda foi possível reunir um conjunto bastante sólido de exposições, espalhadas por vários equipamentos culturais do concelho da Amadora, com destaque para o Fórum Luís de Camões, que acolhe pela terceira vez o núcleo central do Festival.

Tendo como tema aglutinador “O Grande Vigésimo” (um trocadilho, muito pouco conseguido com o título do jornal “Le Petit Vingtiéme”, onde Hergé criou o Tintin), a mostra principal, coordenada por Sara Figueiredo Costa, divide-se em quatro partes: “Almanaque”, que revisita os momentos marcantes dos últimos vinte anos do Festival; “Colecção CNBDI”, que recolhe originais de autores portugueses e estrangeiros que passaram pela Amadora; “Contemporaneidade portuguesa”, uma selecção feita por Pedro Moura de alguns dos (para ele) nomes mais importantes da BD que se faz actualmente; e “20 Anos de Concursos”, que demonstra como vários dos nomes consagrados da actual BD portuguesa, como José Carlos Fernandes, começaram nos concursos de BD da Amadora.

Tendo em conta a importância da efeméride que evoca, o resultado final desta mostra não é particularmente entusiasmante. Pode ser que o anunciado livro de Sara Figueiredo Costa sobre os 20 Anos da Amadora, me leve a mudar de opinião, mas até ao final do segundo fim-de-semana, o livro ainda não tinha saído, o que me faz temer que suceda o mesmo que com a Exposição das “100 Melhores BDs do Século XX, cujo catálogo, cinco anos depois da exposição, ainda não saiu…

Bem melhor é a exposição dedicada a Rui Lacas, vencedor do prémio do Melhor álbum Português no ano passado e responsável pela excelente linha gráfica do Festival deste ano, ou as mostras dedicadas a Lepage - vencedor do prémio do Melhor álbum estrangeiro com “Muchacho”, cujos fantásticos originais só por si justificam a visita ao Festival - e António Jorge Gonçalves. Mas no espaço do Festival há ainda espaço para exposições de Osvaldo Medina (grande revelação de 2008 com “ A Fórmula da Felicidade”), José Garcês, Giorgio Fratini (italiano, autor de “As Paredes têm Ouvidos”), e para mostras colectivas da BD da Polónia e do Canadá. Se a exposição dedicada ao Canadá se limita ao trabalho dos autores do colectivo Transmission-X (Cameron Stewart, Karl Kerschl e Ramón Perez) já a mostra dedicada à BD polaca dá uma boa panorâmica da (muita e diversa) Banda Desenhada que se faz naquele país, com destaque para autores como Kas, que conseguiram seguir as pisadas de Rosinsky, o desenhador de Thorgal, e entrar no exigente mercado franco-belga.

Também os 50 anos de Astérix são evocados, mas apenas com uma exposição de coleccionismo que, embora relativamente pobre, contém algumas peças curiosas. Outra efeméride evocada nesta edição foi os 50 anos de carreira de Maurício de Souza, o criador da Turma da Mônica, que voltou a levar largas centenas de pessoas ao Fórum Luís de Camões, em busca de um autógrafo seu. Já Exposição que lhe foi dedicada e que mostrava aspectos menos conhecidos da sua obra, merecia uma cenografia mais cuidada, como a que tinha a espectacular mostra dedicada à Planeta Tangerina, a editora que publica os melhores livros infantis de autores portugueses.

Espalhadas por outros equipamentos culturais do concelho da Amadora, o que, infelizmente, implica que serão vistas por muito menos visitantes do que o núcleo central do Festival, estão, para além da mostra "riscos do Natural", de José Ruy, na Escola Superior de Teatro e Cinema e da exposição de BD infantil, "Em traços Míudos", na Kidzania, três outras importantes exposições. Mostras evocativas de grandes personalidades da BD, já desaparecidas, como Vasco Granja, falecido este ano (no edifício da Câmara Municipal); Adolfo Simões Muller, cujo centenário do nascimento se comemorou este ano (na Casa Museu Roque Gameiro); e de Hector German Oesterheld, no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem.

Esta última mostra, dedicada ao mais importante argumentista de língua espanhola, “desaparecido” às mãos da ditadura militar argentina, em finais da década de 70, prossegue a aposta do CNBDI em dar visibilidade aos argumentistas, com Oesterheld a suceder a Alan Moore e Neil Gaiman. Reunindo pela primeira vez uma série de material sobre o criador de “Mort Cinder”, “ El Eternauta” e “Sargento Kirk”, esta mostra, de grande importância tanto simbólica como real, estará em exibição até finais de Fevereiro de 2010, pelo que voltarei a falar dela neste espaço. Entretanto, aqueles que não a forem visitar, poderão ficar a saber algo mais sobre ela, no blog criado propositadamente para a exposição pelo argentino Mariano Chinelli (http://hgobdamadora2009.blogspot.com/), um dos especialistas na obra de Oesterheld que colaborou na exposição do CNBDI.

(“20º Amadora BD” , de 23 de Outubro a 8 de Novembro de 2009, no Fórum Luís de Camões. Mais informações em www.amadorabd.com )

Versão alargada de um texto publicado no Diário As Beiras de 31/10/2009

(Texto corrigido por JML em 6NOV09 e republicado aqui com as alterações feitas pelo autor).

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Texto do jornal "i", citando a agência Lusa:

FRANÇOIS SCHUITEN E BENOIT PEETERS VÃO ESTAR DOMINGO NO FESTIVAL AMADORA BD

por Agência Lusa, Publicado em 02 de Novembro de 2009

François Schuiten e Benoit Peeters vão estar no domingo no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, onde receberão dois prémios pelo álbum "A teoria do grão de areia".

De acordo com a organização do Amadora BD, os dois autores vão estar apenas no domingo à tarde no Fórum Luís de Camões, na Amadora, para contactar com o público, dar autógrafos e receber os prémios Juventude e "Melhor álbum estrangeiro" pela história da série "As cidades obscuras".
Schuiten e Peeters tinham já sido convidados antes para participar nesta 20ª edição do Amadora BD, mas o convite foi reforçado depois da atribuição daqueles dois prémios à obra da dupla franco-belga.

"A teoria do grão de areia" é uma obra de banda desenhada repartida em dois tomos, tendo o primeiro sido editado em Portugal em Junho passado, pela Asa. O segundo tomo deverá sair em 2010.

O álbum é o décimo da série "As cidades obscuras", que Schuiten e Peeters iniciaram nos anos 1980 e que inclui, entre outros, "A febre de Urbicanda", "A menina inclinada", "A fronteira invisível" e "A sombra de um homem".
Inspirados pela arquitectura, pela Art Nouveau ou por Júlio Verne, Schuiten e Peeters criaram um mundo utópico paralelo à Terra, com sumptuosas e detalhadas paisagens urbanas de cidades que se aproximam da realidade, como Brüsel (Bruxelas) e Urbicanda (Berlim) e onde ocorrem acontecimentos insólitos que desencadeiam uma história.

Além de Schuiten e Peeters, no último fim-de-semana do 20º Amadora BD marcarão ainda presença David Lloyd, desenhador britânico de "V for Vendetta", com argumento de Alan Moore, e Luc Collin, autor belga conhecido por Batem, que sucedeu a Franquin na série Marsupilami.

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EMENDA DE UMA GAFE FOTOGRÁFICA:

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A foto de Benoit Peeters - que estava ao lado da de Art Spiegelman, no arquivo Pedranocharco, onde cliquei por precipitação.

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Benoît Peeters e François Schuiten - foto enviada por João Miguel Lameiras.

Já agora fica AQUI também o link para o Blogue do Pedro Cleto, com textos interessantes sobre os 50 anos de Asterix, Tarzan, etc...

Publicado por jmachado em 12:57 PM | Comentários (4) | TrackBack (0)

novembro 03, 2009

20º FIBDA 2009 - PRÉMIOS NACIONAIS DE BANDA DESENHADA

Lista "sacada" do Divulgando Banda Desenhada, o blogue de Geraldes Lino (VER AQUI). Aqui ficam os vencedores deste ano e a notícia de última hora, de que François Schuiten e Benoît Peeters estarão na Amadora, para receber os prémios.

TROFÉU DE HONRA DA CIDADE DA AMADORA
ARTUR CORREIA

TROFÉU ESPECIAL 20 ANOS
MAURÍCIO DE SOUSA

Melhor Álbum Português
A Metrópole Feérica. Terra Incógnita - vol. 1
Autores: Luís Henrique (desenho), José Carlos Fernandes (arg.) - Ed. Tinta da China

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Melhor Argumento para Álbum Português
A Metrópole Feérica. Terra Incógnita - vol.1
Argumentista: José Carlos Fernandes

(E pronto está explicado o mistério da ausência de José Carlos Fernandes neste FIBA: não lhe apeteceu simplesmente receber mais um prémio!!! - ainda pensei que ele não veio porque já estava farto de me ver à frente, de máquina fotográfica em punho, mas não, ao que parece. Que alívio! Assim, as fotos do JCF seguem para o ano...)

Melhor Desenho para Álbum Português
A Metrópole Feérica. Terra Incógnita - vol.1
Desenhador: Luís Henriques

Melhor Álbum Estrangeiro
A Teoria do Grão de Areia
Autores: Schuiten (desenho), Peeters (argumento) - Edições ASA

Melhor Álbum de Tiras Humorísticas
Cão Fedorento
Autor: Mike Peters - Gradiva Publicações

Melhor Ilustração para Literatura Infantil
Canta o Galo Gordo
Ilustradora: Cristina Sampaio - Editorial Caminho

Clássicos da 9ª Arte
A Marca Amarela
Autor: Edgar P. Jacobs - Edições ASA/Público

Fanzine
Venham+5
Editor: Câmara Municipal de Beja/Bedeteca de Beja
Coordenador: Paulo Monteiro

Prémio Juventude
A Teoria do Grão de Areia
Autores: Schuiten (desenho), Peeters (arg.)

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA:
François Schuiten e Benoît Peeters estarão na Amadora, para receber os prémios, no próximo domingo, dia 8 de Novembro.

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François Schuiten e Benoît Peeters, quando eram novitos...

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... e actualmente, para que os leitores os reconheçam no dia 8!!!

Todas as imagens são da responsabilidade do Kuentro.

E HOJE HÁ TERTÚLIA!!! O 303º ENCONTRO - É OBRA, HEIM?

Publicado por jmachado em 02:08 PM | Comentários (8) | TrackBack (0)

novembro 02, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #94 - Textos de Pedro Cleto sobre o 20º FIBDA 2009 e OS 50 ANOS DE ASTERIX, COM ENTREVISTA EXCLUSIVA A UDERZO.

Regressamos, por hoje, aos recortes, com os textos de Pedro Cleto no Jornal de Notícias, o primeiro contendo a programação do 20º FIBDA 2009 – a que a organização, resolvendo mudar o nome oficial do Festival (juntamente com o logótipo, um pouco mais feliz que o anterior, diga-se desde já) chama agora 20º AmadoraBD, FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA, PORTUGAL. O que acaba por ficar errado, uma vez que mudando o nome, teria que mudar o numeral, sendo este já não o 20º FIBDA mas o 1º AmadoraBD, etc… No entanto como o primeiro Festival da Amadora, em 1990, se chamou “1º Salão de Banda Desenhada da Amadora”; os quatro seguintes “Amadora Cartoon, Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora” e, se não me engano apenas em 1995, seria o "6º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora”, os numerais já há muito que não batem certo com as designações oficiais. OK! Mas toda a gente sabe do que se trata.

O segundo e o terceiro textos são sobre os 50 ANOS DE ASTERIX, com uma entrevista exclusiva com Albert Uderzo, que pode também ser lida no blogue de Pedro Cleto, AQUI.

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Revista NS do Jornal de Notícias, de 24 de Outubro de 2009

DE FIBDA A AmadoraBD – 20 ANOS DE UMA HISTÓRIA COM QUADRADINHOS

F. Cleto e Pina

A cumprir este ano a sua 20ª edição, o ex-Festival Internacional da Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), agora Amadora BD (na verdade mais simpática, arejada e fácil de evocar), assenta nessa efeméride boa parte da sua programação. Decisão correcta e plenamente justificável, pela(s) história(s com quadradinhos) que o FIBDA soube escrever ou gerar, tornando-se “o” festival de BD em Portugal e um evento respeitado na Europa e no mundo. E contribuindo, juntamente com os entretanto já extintos Salão Internacional de BD do Porto e Salão Lisboa de Ilustração e BD, para colocar a banda desenhada (mais vezes) na agenda mediática nacional.

Destes 20 anos - longos e ao mesmo tempo curtos – os amantes de banda desenhada recordam em especial as boas edições que tiveram lugar na antiga Fábrica da Cultura, de que o Fórum Luís de Camões, onde o evento se realiza agora pelo terceiro ano consecutivo, é digno herdeiro. E recordam também como o festival encenou a três dimensões alguns dos mais fantásticos universos de papel ou a presença dos maiores artistas da 9ª arte, como Morris, Will Eisner, Hermann, Don Rosa, Moebius, Prado, Art Spiegelman, Alan Moore... E como deu igual tratamento aos autores lusos, novos e consagrados, conseguindo, por vezes, que também fossem mediáticos, como Luís Louro, José Carlos Fernandes, António Jorge Gonçalves, José Ruy, ET Coelho, Artur Correia ou, este ano, Rui Lacas, José Garcês e Osvaldo Medina. E como permitiu a descoberta de outros nomes, de outros mundos desenhados, de outros universos aos quadradinhos, de outras fontes de sonho, emoção, liberdade.
Como marco deste percurso – não isento de recuos e escorregadelas – fica também a criação do Centro Nacional de Banda Desenhada e da Imagem (CNBDI), que possui uma biblioteca especializada, uma sala de exposições, e acolhe um já considerável acervo de pranchas originais, mas a que falta, no entanto, uma actividade mais intensa ao longo do ano.

Mas é também pelo peso de toda esta história que era legítimo esperar mais desta edição, logo a começar pelo designação do tema centralizador – “O Grande Vigésimo”, colagem desnecessária a Angoulême, onde a expressão “Le Grand Vingtième” fazia todo o sentido, numa alusão ao “Le Petit Vingtième” onde Tintin se estreou, mas que entre nós soa a cautela da lotaria…

Premiada? A resposta será dada por cada um após visitar o evento, mas a verdade, é que na lista de convidados só constam dois “monstros” da BD, Carlos Sampayo, o argumentista do mítico Alack Sinner, e o brasileiro Maurício de Sousa (ver texto alusivo nesta revista), já um “habitué”, faltando outros que, mesmo repetentes, pudessem dar mais brilho (merecido) à festa.
Mas, o grande destaque do Amadora BD é o próprio festival, através de uma exposição dividida em quatro núcleos: “Almanaque”, que evoca (est)a história e a evolução do evento; “Contemporaneidade Portuguesa”, dedicada aos autores nacionais em actividade; “Colecção CNBDI” que expõe muitas das pranchas oferecidas pelos autores que têm visitado a Amadora; e “20 anos de Concursos”, em que são destacados alguns dos que passaram pelos concursos e que se afirmaram no panorama nacional. E nesta área talvez o Amadora BD pudesse ter um papel mais relevante, que poderia passar por uma publicação regular onde os talentos descobertos pudessem publicar e crescer na 9ª arte.

Da restante programação, cujo interesse intrínseco global não se questiona, destaque para os originais de Maurício de Sousa, que cá vem comemorar meio século de carreira, para a evocação dos 50 anos de Astérix, através de uma exposição de coleccionismo, para as homenagens a Héctor Oesterheld, o mítico argumentista que nos anos 70 foi uma das vítimas da ditadura militar argentina, e a Vasco Granja, para a proposta do italiano Giorgio Fratini, autor de “Sonno Elefante – As Paredes têm Ouvidos”, que explora as memórias do edifício que serviu de sede à PIDE, e da (bela) América Central pintada por Emmanuel Lepage, bem como para a possibilidade de descoberta dos quadradinhos da Polónia e Canadá.

Faltam (mais) comics e manga (apenas estará representado pelo estúdio nacional NCreatures)? Mais uma vez, sim, o que poderá continuar a contribuir para o distanciamento das novas gerações em relação ao evento, cujo público tem envelhecido. Para além disso, por culpas próprias e alheias, que o espaço disponível não permite dissecar, continuam a faltar as pontes necessárias com editoras e lojas especializadas, o que se reflecte negativamente no lado comercial, que poderia – e deveria – ser uma das molas do festival.

Mas se alguns destes pontos devem ser ponderados por quem organiza, por quem edita – até por quem produz BD em Portugal – o que importa agora é que a festa dos quadradinhos já começou e até dia 9 há autores para encontrar, debates para ouvir e intervir, belos originais para admirar, universos para descobrir, livros novos para comprar; em suma, mais uma capitulo desta história (com quadradinhos) para escrever.

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Quadradinhos pela cidade
Para além do Fórum Luís de Camões, há outros equipamentos da cidade da Amadora que acolhem mostras de BD, cartoon ou ilustração. Eis a sua relação completa:

CNBDI
- Exposição retrospectiva/biográfica de Héctor Germán Oesterheld

GALERIA MUNICIPAL ARTUR BUAL
- Homenagem a Vasco Granja

CASA ROQUE GAMEIRO
- Centenário de Adolfo Simões Muller

RECREIOS DA AMADORA
- Cartoon

ESCOLA SUPERIOR DE TEATRO E CINEMA
- Riscos do Natural, de José Ruy

CENTRO COMERCIAL DOLCE VITA TEJO / KIDZANIA
- Em Traços Miúdos, Ricardo Ferrand, Pedro Leitão e José Abrantes

(Caixa)
Autores presentes
Para um autógrafo, um desenho e/ou uma conversa, eis os autores estrangeiros que será possível encontrar nos três fins-de-semana do Amadora BD 09:

24 e 25 de Outubro
Cameron Stewart (Canadá)
Karl Kerschl (Canadá)
Ramón Pérez (Canadá)
Miguel Angel Martin (Espanha)
Emmanuel Lepage (França)
Carlos Sampayo (Argentina)
Oscar Zarate (Argentina)
C.B. Cebulski (EUA)

31 de Outubro e 1 de Novembro
Giorgio Fratini (Itália)
Agim Sulaj (Albânia)
Korky Paul (Zimbabwe)
Mauricio de Sousa (Brasil)
Achdé (França)
Yosh (Suécia)
Natália Batista (Suécia)
François Boucq (França)

7 e 8 de Novembro
Javier Isusi (Espanha)
Alfonso Azpiri (Espanha)
David Lloyd (Inglaterra)
Zbigniew Kasprzak (Polónia)
Grazyna Kasprzak (Polónia)

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PARABÉNS ASTERIX

Pedro Cleto

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JORNAL DE NOTÍCIAS - Última Página do dia 29 de Outubro de 2009

A HISTÓRIA DE… ASTÉRIX
o pequeno guerreiro gaulês

Não é muito alto, mas compensa a baixa estatura com a sua sagacidade… e com a poção mágica que lhe confere força sobre-humana, cujo segredo apenas o druida Panoramix conhece.

Rezam as crónicas (em banda desenhada) que Astérix nasceu em 85 a. C., enquanto decorria (mais) uma zaragata na sua aldeia, algo completamente normal, refira-se. Diz-se que os seus pais foram dois franceses, René Goscinny e Albert Uderzo, mas na realidade os seus progenitores chamam-se Bomboca e Astronomix. Actualmente habitam em Condate, onde gerem uma loja de artesanato gaulês, chamada “O Menir Voador”, mas quando Astérix nasceu, viviam onde ele ainda mora, numa pequena aldeia no norte da Gália, povoada por irredutíveis gauleses que resiste ainda e sempre ao invasor romano…

Celibatário até hoje, conhecem-se-lhe apenas duas paixonetas sem consequências: a gaulesa Falbala e a romana Latraviata. Apesar disso, quando lhe deixaram uma criança à porta, todos suspeitaram de um caso amoroso, mas veio a descobrir-se que o bebé era filho da rainha Cleópatra (que tinha um belo nariz).

Goscinny e Uderzo, na realidade, limitaram-se a fazer a crónica (aos quadradinhos) das suas muitas e bem divertidas aventuras, nas quais por diversas vezes exasperou o imperador Júlio César e distribuiu prazenteira e generosamente tabefes por quase todos os legionários romanos com quem se cruzou. Nelas, percorreu praticamente todo o mundo antigo conhecido, desde a sua Gália natal (à qual deu a primeira volta… a pé!), a países próximos, como a Hispânia, Germânia (o país dos godos), Normandia, Bretanha ou Helvécia, ou mais distantes, como o Egipto, a América, a Índia ou a Numídia. Em Roma, onde todos os caminhos vão dar, participou nos célebres jogos de circo no Coliseu, e em Atenas, conquistou uma coroa de louros nos Jogos Olímpicos.

Sem profissão definida, a tudo isto prefere o sossego da sua aldeia natal – apesar de até extraterrestres já lá terem aparecido - ou ir à floresta caçar javalis com o seu amigo e companheiro de aventuras Obélix, nascido no mesmo dia que ele, o tal que caiu na poção mágica quando era pequeno.

E hoje, tantos anos depois, continua a ter medo apenas de uma coisa: que o céu lhe caia em cima da cabeça! Mas, felizmente, como é uso dizer-se na sua aldeia: “Amanhã não será a véspera desse dia”!

JORNAL DE NOTÍCIAS - secção Cultura de 29 de Outubro de 2009

ASTÉRIX NÃO MUDOU EM 50 ANOS!

O riso é o mais importante em Astérix
Sinto-me orgulhoso por poder celebrar este meio século de amizade com os leitores!

F. Cleto e Pina

Chama-se Albert Uderzo e nasceu em Fismes, na França, a 25 de Abril de 1927. Os 50 anos de Astérix, que se cumprem hoje, foram o pretexto para uma conversa por mail, na qual evocou com saudade o seu amigo René Goscinny, bem como o passado e o futuro do herói que juntos criaram.

Jornal de Notícias - Como apresentaria Astérix a alguém que não o conheça?

Albert Uderzo - Quer dizer que ainda há leitores irredutíveis? (risos) Astérix é um valoroso guerreiro gaulês, não muito grande nem muito inteligente, mas astuto e desenrascado! Ele e os outros habitantes da sua aldeia só têm medo de uma coisa: que o céu lhes caia na cabeça! Sempre em companhia do seu fiel amigo Obélix e de Ideiafix, o seu cão, percorrem o mundo antigo para socorrerem as vítimas dos romanos. Para lhes darem uns ”tabefes” precisam de uma preciosa poção mágica preparada pelo druida Panoramix que lhes confere uma força sobre-humana e lhes permite alcançar todas as vitórias, que festejam sempre com um grande banquete!

JN – Como seria Astérix se fosse imaginado hoje?

AU – Como já é! Ele mudou muito desde a sua criação: cresceu, os seus traços afirmaram-se e a sua personalidade também! Obélix também mudou: a sua estrutura, algo quadrada nos ombros, atenuou-se em benefício da barriga, que cresceu! Todas as personagens evoluíram e estão muito bem neste tempo!

JN – Nos últimos 50 anos quem mudou mais? Astérix, o mundo ou Uderzo?

AU – Tenho que reconhecer que quem está mais marcado é este seu criado! Como diz a canção: Onde estão os meus 20 anos? Quanto ao mundo, não me parece que tenha mudado assim tanto e a prova é que os álbuns que escrevi com o meu amigo René Goscinny continuam a divertir muitos! Astérix não mudou! Não pode mudar, o seu mundo é imaginário! Não pode envelhecer: 50 anos depois, continua a viver em 50 a. C.!

JN – Que qualidades permitiram a Astérix resistir tanto tempo, com um sucesso sempre crescente?

AU – Talvez porque se manteve sempre num mundo de papel, aos quadradinhos! Um mundo que lhe permite defender e preservar sempre os mesmos valores, a sua aldeia, as amizades e os prazeres simples (a caça, os banquetes, etc…) E nós, autores, quisemos sempre preservar esses valores na série, com um ingrediente suplementar: o riso, que é o mais importante!

JN – Quais foram os momentos mais marcantes deste percurso de 50 anos?

AU – Houve tantos! O primeiro, foi sem dúvida o meu encontro com Goscinny, em 1951, porque sem ele, não teríamos criado a personagem! Depois, em 1959, quando imaginámos Astérix pela primeira vez, para a revista “Pilote”. E, evidentemente, quando tomámos consciência que se transformara num verdadeiro fenómeno, ao ouvir um homem na rua a chamar ao seu cão Astérix! O mais triste foi o desaparecimento prematuro do meu amigo René, que me deixou arrasado. E ainda, hoje, o cinquentenário desta personagem que, para meu grande prazer, continua a divertir pequenos e grandes. Sinto-me orgulhoso por poder celebrar este meio século de amizade com os leitores!

JN – Se pudesse voltar atrás, o que gostaria de mudar?

AU – A partida de René. Foi-se demasiado cedo e de uma forma demasiado violenta. Sinto muito a sua falta. De resto, não mudaria nada desta aventura gaulesa!

JN – Qual é o seu álbum de Astérix preferido?

AU – Tenho um carinho especial por “Astérix entre os Bretões”, porque adoro o trabalho que o René fez com a língua inglesa! Mas quando termino um álbum, raramente o releio; parto logo para o seguinte!

JN – Que história de Astérix ainda não contou?

AU – Todas as que ainda não foram escritas. E talvez aquela em que penso para a próxima vez! (risos) Já na época de René tínhamos a sensação de termos explorado todos os temas que podíamos desenvolver com Astérix. Hoje, o problema é o mesmo, Astérix já viajou por todo o mundo antigo conhecido e é muito difícil fazê-lo descobrir novas regiões!

JN – Porque é que Astérix nunca veio à Lusitânia?

AU – Eis uma bela ideia para uma viagem! Agora só tenho que encontrar a intriga (risos)!

(caixa)
Enquanto puder segurar um lápis, não cederei o meu lugar a ninguém!

No passado dia 22, foi posto à venda em duas dezenas de países (Portugal incluído), o 35º álbum das aventuras de Astérix. Intitulado “O aniversário de Astérix e Obélix – O livro de Ouro”, teve uma tiragem global de 3,5 milhões de exemplares e funciona como um momento de celebração da série.

JN – O álbum dos 50 anos é diferente dos outros…

AU – Para este aniversário queria algo especial. Um álbum onde todos os amigos de Astérix e Obélix lhes testemunhassem a sua amizade e lhes oferecessem uma prenda! Ao mesmo tempo presto uma homenagem a todos os leitores que seguem Astérix há tanto tempo! Então, imaginei uma espécie de álbum de recordações! É um conjunto de histórias curtas, todas com a temática do aniversário, que contam a preparação de todas essas prendas.

JN – Foi o último desenhado por si?

AU – Meu Deus, espero que não! Enquanto puder segurar um lápis, pode acreditar que não cederei o meu lugar a ninguém! É verdade que Astérix continuará depois de mim, já o anunciei e já trabalho com aqueles que me devem suceder, mas isso tem tempo!

JN - Vai deixar argumentos escritos para os seus sucessores?

AU – Ainda não pensei nisso e não preparei nada nesse sentido.

JN – Como imagina Astérix depois de Uderzo?

AU – Já houve um Astérix depois de Goscinny e espero que haja um depois de mim. Como o imagino? Espero que continue a divertir milhões de leitores em todo o mundo.
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René Gosciny (1926/1977) e Albert Uderxo (1927)

Claro que, como todos sabem, As Aventuras de Asterix, depois da morte de Gosciny, passaram a ser O Negócio Asterix... mas trataremos este tema em próximo post, a propósito da inenarrável exposição que o FIBDA deste ano dedicou aos 50 anos de Asterix.

Já agora, pode ver-se no blog da Asa Negra Comics (Hugo Teixeira e Ana Vidazinha) AQUI, uma interessante reportagem sobre o XVI SALÃO DE BD DE VISEU, que não tivemos aqui, este ano, oportunidade de acompanhar.

Publicado por jmachado em 10:55 AM | Comentários (0) | TrackBack (7)